
A forte queda nas ações da Petrobras que marcou a sexta-feira passada (8) na bolsa teve dois motivos apontados por analistas: distribuição de dividendos (remuneração aos acionistas) considerada baixa – R$ 8,8 bilhões ante projeção de R$ 12 bilhões e a aprovação, pelo conselho de administração, da volta da Petrobras à distribuição de gás de cozinha.
O tombo de 6,15% (preferenciais) a 7,95% (ordinárias) nas ações provocou perda de valor de mercado da estatal estimada no patamar de R$ 30 bilhões. Nem o lucro dentro das expectativa do mercado, de R$ 26,7 bilhões no segundo trimestre, aliviou a reação negativa.
Ainda não se sabe em que formato a Petrobras voltará ao mercado de distribuição de gás de cozinha, do qual havia saído com a privatização da Liquigás, em 2020. Mas o que inquieta o mercado é o fato de a decisão ter ocorrido quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifesta, com frequência, preocupação com o preço do botijão de gás. É a volta do fantasma da intervenção na petroleira.
Lula vem reclamando que o gás de cozinha é vendido pela Petrobras por R$ 37 (botijão de 13 quilos), mas o consumidor paga até R$ 140. Embora o custo da distribuição seja de fato elevado, por se tratar de produto pesado e inflamável, é uma diferença considerada excessiva, porque houve privatização sem desconcentração.
No relatório de julho da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do botijão de 13 quilos no Brasil era de R$ 107. Conforme o Observatório Social do Petróleo (OSP), a margem de distribuição e revenda saiu de R$ 28,67 para R$ 55,80, com 92% de aumento desde a privatização da Liquigás.
Embora seja um desafio para a Petrobras adotar ações efetivas de forma acelerada, o mercado já vê peso do calendário eleitoral na decisão. Afinal, a volta à distribuição foi aprovada a pouco mais de um ano da sucessão presidencial. Por isso, há temor de decisões populistas, com efeito sobre a lucratividade da estatal que também é uma das principais empresas na bolsa.
No extremo da inquietação, analistas não descartam sequer uma tentativa de recompra do braço de distribuição de combustíveis da Petrobras, a antiga BR, privatizada em 2021, que hoje se chama Vibra. Os comandos da estatal – anterior e atual – fazem críticas ao contrato que deu à empresa privada o direito de uso da marca BR por cinco anos.



