
Agora, o prazo para que o tarifaço de 50% sobre cerca de metade dos produtos brasileiros entre em vigor é dia 6, a próxima quarta-feira. Nesses três dias úteis restantes, o foco do governo Lula e dos setores empresariais é incluir na lista de exceções ao menos três produtos que ficaram fora, para espanto de todos.
Um grão é o caso mais absurdo: conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), 34% de todo o grão consumido pelos americanos é brasileiro. Ao taxar a importação do Brasil em 50%, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, corre o risco de conjurar o fantasma a quem deve sua eleição: a inflação.
É considerado tão estratégico que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, foi tomar um café com a apresentadora Ana Maria Braga, do programa Mais Você, usando meias alusivas ao produtos.
Outro é a carne: são do Brasil 23% das importações americanas. Embora os Estados Unidos também sejam grande produtor, as vendas brasileiras têm uma característica distintiva: são carnes magras, necessárias para equilibrar a mistura usada nos hambúrgueres.
O terceiro é plural: frutas. No curioso sistema de classificação de produtos para efeito de comércio exterior, que é diferente do usado aqui, mangas e goiabas estão juntas, com o Brasil em quarto lugar entre os fornecedores internacionais para os EUA.
Como a manga havia sido citada pelo secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, como um dos produtos que poderiam ficar sem tarifas adicionais, ninguém entendeu porque não entrou no famoso "anexo 1", que tem a lista das exceções.
A manga tem safra em agosto e setembro, e uma declaração do presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, ilustra o risco de acreditar que a barreira às exportações vai baixar a inflação no Brasil:
— Infelizmente, não podemos pegar essa manga e jogar na Europa, o preço vai exalar, não tem logística. E não podemos colocar essa manga no Brasil, porque vai colapsar o mercado.



