
Ao detalhar os resultados do segundo trimestre nesta sexta-feira (1º), o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a empresa já fez 1,5 mil demissões de janeiro a julho. Os desligamentos, afirmou, foram acelerados nas últimas semanas e concentrados nas cidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, no interior paulista. Werneck também confirmou que a siderúrgica vai reduzir investimentos no Brasil.
— Vínhamos retendo as demissões aguardando a reunião do Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Secretaria de Comércio Exterior) do dia 24 de julho. Esperávamos medidas adicionais de defesa comercial, mas, como não vieram, o setor agora convive com dura realidade de lidar com essa situação e promover novas adequações de capacidade produtiva — afirmou Werneck.
Conforme a Gerdau, a taxa de penetração de aço importado no Brasil chega a um novo recorde no segundo trimestre, de 26%, 3,9 pontos percentuais acima de igual período de 2024. Por isso, disse Werneck, a decisão de reduzir o investimento no Brasil já está tomada, mas a empresa só vai apresentar suas decisões em outubro.
— Não tem sentido continuar investindo no Brasil, já que o governo federal não toma medidas alinhadas à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a entrada desleal de aço. Vamos reduzir, mas ainda vamos definir o que faz sentido e o que não — sustentou Werneck.
O CEO da Gerdau ressalvou que os R$ 6 bilhões em investimento no Brasil anunciados pela companhia neste ano estão 100% mantidos. A redução se dará em novos projetos, ainda não apresentados.
No segundo trimestre, a produção da Gerdau na América do Norte (EUA e Canadá) alcançou a maior participação histórica na geração de caixa (medida pelo indicador ebidta), de 61%. No período de janeiro a março, havia ficado em 48%. Apesar da forte presença da Gerdau nos EUA, Werneck disse que a empresa não se envolveu nas negociações tarifárias:
— Não nos engajamos como empresa, por acreditar que essa é uma atribuição do governo federal. Não viajamos a Washignton, não é nosso papel. Ao longo de muitos anos, decidimos operar nos EUA como empresa americana. Não seremos afetados diretamente pela tarifa, porque não importamos do Brasil.
Observou, porém, que a siderúrgica acompanha um possível efeito indireto, que ainda não consegue medir em detalhe:
— Nossos clientes do setor de máquinas e equipamentos vai ter de pagar tarifa e devem enfrentar dificuldades adicionais para exportar para os EUA. Estamos tentando projetar o que vamos deixar de vender a clientes no mercado doméstico. Pode ser um complicador adicional devido a essa alta entrada de aço importado.
Apesar da pressão chinesa, a Gerdau fechou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 864 milhões entre abril e junho. A receita líquida somou R$ 17,5 bilhões.





