
O estudo Comércio Exterior e entre Regiões e Estados, da FGV Ibre, mostra o peso das exportações na economia do Rio Grande do Sul. Os economistas Claudio Considera, Isabela Kelly e Juliana Trece se focaram na quantidade da produção local que é absorvida internamente e quanto do total é trocado, tanto entre diferentes unidades da federação quanto com o Exterior. No caso do RS, as vendas para outros países representam 6,8% do total da produção.
— É um percentual relevante. Ainda não concluímos o estudo, mas já sabemos que São Paulo, por exemplo, exporta 5,4% de sua produção para o mundo — afirma Considera.
Isso ajuda a entender porque o Estado é mais afetado do que a média nacional pelo tarifaço de 50% sobre os produtos que os Estados Unidos importam – ou, a essa altura, importavam. Ter bom peso das exportações na economia é positivo, tanto que é incentivado pela União e pelos Estados. O problema é que virou risco por conta do tarifaço estimulado artificialmente.
O elevado percentual das exportações gaúchas, observam os autores, decorre do fato de o RS concentra boa parte da produção nacional de alguns setores: 21% em máquinas e equipamentos, 21% em móveis, 32% em couros, artigos para viagem e calçados e 74% em produtos do fumo.
Conforme o estudo, 80,7% da produção gaúcha é absorvida dentro do RS e 12,5% é vendida a outros Estados. Esses dados, observa Considera, são referentes a 2018, os mais atualizados com esse grau de detalhamento que o IBGE tem. Mas os autores do trabalho fizeram verificações pontuais de checagem e confirmaram a validade recente dos dados.
— Algo pode ter mudado, mas estamos olhando para estruturas que não se alteram em poucos anos — pondera Considera.




