
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Aguardando sinais mais claros sobre o futuro do juro nos EUA, desdobramentos da queda de braço entre Brasília e Washington e de olho nas eleições, o mercado andou ontem praticamente de lado. O dólar fechou com leve avanço de 0,09%, cotado a R$ 5,478, e o Ibovespa recuou 0,12%, encerrando o dia com 134.510 pontos.
Existia um temor de parte do mercado sobre possível novo capítulo na tensão entre Brasil e EUA diante de mais um indiciamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas esse ruído não apareceu — ainda — nos indicadores.
Também tinha certa expectativa de como os ativos iriam reagir à mais recente edição da pesquisa Quaest, que apontou Lula à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno nas eleições de 2026.
Geralmente, qualquer sinal de favoritismo do atual presidente costuma deixar o mercado mal-humorado, mas isso também não pesou muito nos dados de quinta, indicando cautela.
O economista André Perfeito afirma que o aguardo de indícios mais nítidos sobre o futuro do juro nos EUA é mais relevante, neste momento, na análise de ativos no mercado financeiro. Nesse sentido, lembra que, se os juros caem por lá — como tudo indica que vai acontecer —, o dólar fica mais fraco. Como o corte da Selic não será tão célere, o diferencial de juros continuará bom para o Brasil no sentido de vinda de capital estrangeiro para o país.
— A despeito dos ruídos que podem se inflamar, talvez não vai se traduzir em preço de ativo. Ou seja, dólar mais alto, bolsa para baixo, coisas do tipo. Porque existe uma tendência maior ainda que é o enfraquecimento da moeda norte-americana. O preço dos ativos não vai revelar talvez o mal-estar que alguns investidores têm a respeito de algumas dessas questões — complementa Perfeito.
Portanto, resta observar como o mercado vai – se é que vai – colocar esses componentes políticos no radar nos próximos dias. Por enquanto, o cenário externo segue dominando.
Aliás, o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole, programado para hoje, será olhado com lupa. É esperado um indicativo mais claro do rumo da política monetária americana dentro desse pronunciamento, visto que a ata ficou mais presa a um recorte do passado. Isso pode acalmar ou tumultuar ainda mais o mercado.
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