O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.

Em uma semana marcada por volatilidade, o mercado financeiro mostrou otimismo nesta sexta-feira (22). Após flertar com queda acima do 1% ao longo da tarde, o dólar fechou o dia com recuo de 0,95%, cotado a R$ 5,426. Já o Ibovespa, principal índice da B3, chegou aos 137.968 pontos, saltando 2,57% ante o pregão do dia anterior.
Na prática, o bom humor reflete o discurso presidente do Federal Reserve (Fed) — banco central dos EUA), Jerome Powell, no Simpósio de Política Econômica em Jackson Hole, nesta sexta. Powell manteve a porta aberta para o corte do juro na próxima reunião, marcada para setembro, dando sinais mais claros para essa decisão.
A perspectiva de queda do juro na maior economia do mundo encorpa a projeção de dólar mais fraco ante algumas moedas no mundo, incluindo o Brasil. Isso abre espaço para melhoria no ambiente econômico — sempre bem-vinda, ainda mais em tempos de tarifaço.
Aliás, esse efeito não é foi verificado apenas no Brasil. Burton Mello, analista de investimentos internacionais da Portofino Multi Family Office, destaca o efeito do pronunciamento de Powell em outros indicadores:
— O discurso teve forte impacto nos mercados, levando o Dow Jones a subir mais de 600 pontos e os rendimentos dos Treasuries a recuar.
Mello também destaca que Powell revisitou a estratégia de tolerar inflação acima da meta de 2%, adotada em 2020, durante a pandemia, para favorecer o emprego.
— Ele reconheceu que essa abordagem se mostrou equivocada, já que a inflação disparou para níveis inéditos em 40 anos e trouxe duros impactos, sobretudo para os mais vulneráveis. Por isso, o Fed reafirmou seu compromisso com a meta de 2%, considerada essencial para manter ancoradas as expectativas de longo prazo — pontua.
Semana conturbada
Apesar da forte alta nesta sexta, na semana, o dólar apresentou alta de 0,51%. A moeda voltou ao patamar dos R$ 5,40, principalmente pelo impasse envolvendo decisão de Flávio Dino com efeitos sobre a Lei Magnitsky, incerteza de bancos e expectativa por revide dos EUA.
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