
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
O tão esperado discurso do presidente do Federal Reserve (Fed) — banco central dos EUA), Jerome Powell, no Simpósio de Política Econômica em Jackson Hole, parece ter animado o mercado — ao menos até a metade desta sexta-feira (22).
Apesar de seguir com um tom cauteloso, ressaltando inflação que insiste em não ceder, Powell manteve a porta aberta para o corte do juro na próxima reunião, marcada para setembro.
Como já destacamos, juro mais baixo na maior economia do mundo sinaliza dólar mais fraco, que pode impulsionar a atividade de países como o Brasil diante de um diferencial de juros ainda favorável.
Um dos sinais do bom humor com a fala de Powell é o comportamento do dólar no Brasil, que anota uma queda de 1,01% por volta das 13h30min desta sexta, rondando os R$ 5,40. Já a bolsa subia 2,31% no mesmo horário.
O economista André Perfeito entende que a combinação de dólar fraco e juros em queda nos EUA abre caminho para revisões nas projeções dos economistas do Focus sobre a Selic nas próximas semanas. Isso criaria ambiente mais favorável para corte do juro também no Brasil.
No seu pronunciamento, Powell voltou a citar preocupação com inflação, adicionando os impactos do tarifaço de Trump contra outros países. No entanto, ele também afirmou que a estimativa de uma desaceleração mais acentuada no mercado de trabalho pode diminuir esse peso na inflação.
Na prática, o presidente do BC americano sinalizou que o espaço para o corte no juro dos EUA — hoje entre 4,25% e 4,50% — existe mesmo com preços ainda altos e flertando com aceleração.
E essa brecha nasce em meio à preocupação de uma desaceleração da economia acima do projetado, que poderia enfraquecer setores no país de forma mais abrupta. Ou seja, mesmo que a inflação siga preocupando, a necessidade de estímulo na atividade se mostra mais necessária nesse momento.
Sobre o tamanho do corte, a maior parte do mercado projeta redução de 0,25 ponto-base na próxima reunião.



