O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
A tão esperada ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, divulgada ontem, mostra um comitê ainda dividido sobre como equilibrar a atividade econômica e o combate à inflação. Apesar das duas dissidências na última reunião, no fim de julho, a maior parte do colegiado avaliou que o risco de inflação ainda é maior ao manter o juro no mesmo patamar.
No entanto, o comunicado mostra um Fed em uma encruzilhada cada vez mais estreita entre cortar o juro para fomentar a economia ou controlar a subida de preços em um cenário de guerra comercial.
Os integrantes do Fed também destacaram que os efeitos do tarifaço de Donald Trump já começam a se tornar visíveis, principalmente na inflação de bens.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, afirma que a ata deixa claro que, apesar das preocupações com inflação persistente, com o plus das tarifas, os membros do Fed reconhecem que a economia está encolhendo em ritmo acelerado, o que demanda ajuste no juro:
— Está ficando bastante preocupante como equilibrar a questão da atividade econômica com os preços. A inflação não cede e a atividade econômica está começando a ceder mais do que o mercado de trabalho.
Ou seja, apesar da inflação seguir preocupando e mostrar sinais de aceleração, a necessidade de um choque na atividade deve bancar o início do ciclo de corte no juro básico americano — hoje entre 4,25% e 4,50% — nos próximos meses.
Agostini afirma que essa conjuntura cria espaço para corte de 0,25 ponto percentual no juro norte-americano na próxima reunião do Fed, marcada para setembro. Porém, lembra que a falta de informações mais claras sobre o efeito cheio do tarifaço na economia americana pode colocar um asterisco nessa aposta.
Boa parte dos integrantes do Fed afirma que pode levar algum tempo até o efeito completo do tarifaço ser verificado.
— A não ser que esse fator imponderável das tarifas, e o imponderável que eu digo é porque a gente não sabe qual vai ser a extensão do impacto na inflação. Tirando isso, o cenário tranquilamente é de queda dos juros — pontua Agostini.
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