
No segundo trimestre, a Lojas Renner teve aumento de 18,5% na receita, para R$ 3,8 bilhões, e de 28,4% no lucro, para R$ 404 milhões. O resultado robusto veio com ajuda de um crescimento de 18,6% nas vendas, que corresponde a quase o dobro da média do mercado, com base em dados da pesquisa mensal do comércio do IBGE.
— Não é uma linha só que se destaca, temos um resultado, mais uma vez, que evolui e é consistente em todas nossas unidades de negócio — observa Fabio Faccio, CEO da rede.
Esse desempenho fez com que a varejista acumulasse caixa de R$ 1,8 bilhão, uma raridade no momento em que empresas sofrem com endividamento e precisam até consumir recursos de caixa, entre outros motivos pelo juro alto. Esse "tesouro" permite que a Renner reacelere a abertura e a reforma de pontos de venda.
Para a Renner, a reforma de lojas não é só para dar mais conforto e atrair mais clientes. A transformação objetiva dar mais produtividade e sustentabilidade ambiental às operações, porque transforma pontos de venda em unidades circulares – não redondas, mas que usam menos materiais e tudo é reaproveitado, reusado, reciclado ou encaminhado a descarte correto. Um dos símbolos dessas unidades é a de Canela, na foto acima.
Para este ano, estão previstas entre 30 e 37 novas unidades, das quais de 15 a 20 da Renner – 80% em locais onde a marca ainda não chegou –, 15 Youcom e uma ou duas Camicado. Nesse cenário, nem o aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é uma dor de cabeça para a Renner. Faccio explica que a elevação do tributo incomoda empresas endividadas.
— Estamos em ciclo virtuoso, com gestão mais eficiente e estoques menores, o que permite oferecer preços mais atrativos para os clientes em produtos novos — afirma o CEO.
Parte da melhora veio depois de um ano da taxação de 20% sobre a vendas das "concorrentes" digitais asiáticas, como Shein e Temu, mas a Renner colhe também o efeito do investimento em tecnologia feito no centro de distribuição de Cabreúva (SP). Então, a rede gaúcha vive um mar de rosas?
— O cenário macro poderia estar melhor. Se o juro estivesse menor e a economia, menos instável, seria melhor para todas as empresas e para nós também. Mas a Renner se preparou para performar em cenários mais difíceis — responde Faccio.



