
Em tese, não tem relação com o tarifaço de Donald Trump. Mas talvez a atual situação belicosa das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos tenha dado um empurrãozinho. Depois de dois anos de pressões, o Brasil adota sobretaxas a resinas plásticas vindas de EUA e Canadá. Na quarta-feira (27), o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) decidiu aplicar cobrança temporária por seis meses sobre a importação de resinas de polietileno (tipo de plástico) dos dois países.
Em agosto de 2023, em evento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) para "sensibilizar" parlamentares, o problema da importação via Zona Franca de Manaus (ZFM) havia sido exposto no polo de Triunfo. A principal empresa beneficiada é a Braskem, que teve prejuído no segundo trimestre.
Em tese, a ZFM permite importar sem impostos insumos, partes e peças que teriam lá um processo industrial, ainda que simplificado, e o produto final fica isento de tarifas. No caso das resinas plásticas, segundo diagnóstico feito na época, o material importado em condições benéficas não passada por transformações posteriores.
Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida foi definida a partir de investigações amparadas pelas regras de comércio internacional, para proteger a indústria nacional de preços muito baixos praticados por empresas estrangeiras.
Além da sobretaxa sobre resinas plásticas, o Gecex também contemplou parcialmente um pedido da indústria siderúrgica: tarifas antidumping sobre folhas metálicas de aço carbono da China. A "invasão chinesa" havia sido apontada pela Gerdau, de origem gaúcha, como principal motivo da demissão de 1,5 mil funcionários entre janeiro e julho e uma anunciada, mas não detalhada, desistência de investimentos no Brasil.



