
Conforme o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o "plano de contingência" do governo federal, desenhado para ajudar empresas que mais dependem das exportações para os Estados Unidos e ficaram fora das 694 exceções ficará pronto ainda nesta quarta-feira (6). Mas seu anúncio, condicionou, depende do tempo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para quem espera com ansiedade essas medidas de apoio – e não tem o telefone de Eduardo Bolsonaro –, foi um novo sinal ambivalente. Haddad acrescentou que Lula pediu uma lista de impactos por CNPJ, ou seja, empresa por empresa e mencionou a necessidade de "entender" o pedido presidencial. Sobrancelhas subiram.
O ministro sinalizou que a primeira etapa do plano não depende desse detalhamento, mas deixou dúvida. Afirmou, ainda, que é mais provável que seja editada medida provisória, para que tenha efeito imediato, mas também disse que o martelo será batido pelo Planalto.
— O ato em si não depende desse detalhamento, porque é um ato mais genérico — tentou tranquilizar.
Ao menos no discurso, Haddad têm dado sinais de que entende os problemas dos exportadores. Na véspera, fez um aceno à indústria calçadista, que tem importante polo no Estado, ao afirmar que "a maior preocupação" são produtos "feitos sob medida para os Estados Unidos", que não podem ser redirecionados facilmente.
Muitas empresas calçadistas gaúchas vendem aos EUA no sistema "private label": fabricam sapatos que podem ser até desenhados pelos clientes para, depois, receber a marca de uma empresa americana.
Para vários setores – como café, carne e frutas que, no fim, não receberam exceção na última hora –, o aceno é de compras governamentais, mas essa não é uma alternativa para a maioria dos afetados no Rio Grande do Sul.
Como é exigido de quem defende a necessidade de equilíbrio fiscal, a coluna não defende ajuda a qualquer custo: é necessário calibrar urgências efetivas e danos reais. É preciso ser transparente sobre o que de fato ajuda e o que é só anúncio protocolar.




