
Houve quem saísse às ruas no Brasil, no final de semana, para "agradecer" a Donald Trump travestido de patriota. Ecoaram a família que festejou a imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações do Brasil aos Estados Unidos. Mas também houve outro tipo de "patriota" que ganhou com o tarifaço: manipuladores de mercado com informação privilegiada "adivinharam" o efeito no dólar e embolsaram milhões.
O caso agora está sob investigação da Advocacia-Geral da União (AGU), que também pediu à Procuradoria-Geral da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais no Brasil, que adote "em caráter prioritário" medidas que julgar cabíveis ao que avalia como um potencial "uso ilícito de informação privilegiada" por "prejuízos ao mercado e a investidores".
Conforme apuração do Jornal Nacional, houve compra de dólares estimada entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões antes do anúncio de Trump, quando o dólar valia R$ 5,46. Dois minutos após o anúncio de Trump, que ocorreu pouco antes do fechamento do mercado, a mesma quantia de moeda americana foi vendida a R$ 5,60. Considerando o menor valor apontado, teria obtido lucro de R$ 420 milhões.
Detalhe: no mercado financeiro, as transações não são cobradas com antecedência, ou seja, quem comprou e vendeu não precisava ter os bilhões de dólares comprados. As operações são liquidadas, em alguns casos, no final do pregão, ou em até dois dias. Nesse caso, tudo o que o manipulador precisa fazer é coletar seu ganho.
A estimativa do valor negociado, conforme o JN, é de Spencer Hakimian, dono de um fundo de investimentos em Nova York. Ele acompanha o mercado financeiro em tempo real, e avalia que o lucro embolsado indica que quem fez a aposta indica tinha certeza de uma rápida desvalorização do real, ou seja, sabia do tarifaço antes de seu "anúncio":
— Não é o padrão normal das transações com o real naquele dia. Então, pode ter sido qualquer um que sabia desde o começo. E vamos ter que esperar para ver quem realmente foi — disse Hakimian ao JN.
O anúncio precisa ser entre aspas porque a forma como quase todos souberam do tarifaço foi por uma publicação da carta de Trump em sua rede social, até hoje o único "comunicado" ao Brasil dessa decisão – outra característica que dificulta a abertura de negociações.





