
O tarifaço que entra em vigor no dia 6 de agosto terá baixo impacto na economia como um todo. Já antes das exceções que alcançam entre 35% e 55% do total, as estimativas de impacto no Produto Interno Bruto (PIB) eram quase irrelevantes. Agora, com os setores que se livraram da alíquota punitiva – ficaram apenas com as recíprocas –, o efeito será ainda menos dramático.
Consultorias financeiras e bancos projetam efeito no PIB entre 0,1 e 0,3 ponto percentual. Isso significa que a estimativa de crescimento de 2,23% (conforme o mais recente Relatório Focus) pode encolher para 2,13% a 1,93%. Mesmo no Rio Grande do Sul, mais afetado do que a média nacional, a perspectiva antes das exceções era de crescimento menor, mas de 2,88% para 2,27%, ou 0,61 ponto percentual.
— Antes, já havia a visão de que os impactos macroeconômicos seriam limitados. Se formos olhar daqui a um ano sem saber exatamente quando foi, teremos dificuldade de achar nos dados — afirma Lívio Ribeiro, sócio da BRCG Consultoria e pesquisador associado do FGV Ibre.
Mas esse é o cenário geral: para as empresas afetadas pela pancada de 50%, o efeito pode ser desastroso com risco para sobrevivência de negócios e manutenção de empregos. As empresas que dependem muito do mercado americano podem ser severamente afetadas. Exportadores consideram quase impossível manter qualquer venda para os Estados Unidos com tarifa de 50%.
Afinal, é como se um produto que seria vendido a US$ 10 para os americanos passasse a custar, do dia para a noite, US$ 15. Se o consumidor não puder absorver – é bom lembrar que ainda perdura o trauma da inflação em um país ainda não habituados a esse fenômeno – os exportadores vão simplesmente perder clientes importantes, e que costumam remunerar bem.





