
Detentora de marcas como Melissa, Rider e Ipanema, a calçadista gaúcha Grendene tem 9% da receita de exportações originada de embarques para os Estados Unidos. O diretor de relações com investidores da empresa, Alceu Albuquerque, afirma que o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros "inviabiliza" essa venda. Mesmo que haja expectativa de negociação – reunião na manhã desta terça tem participação da Abicalçados, que representa o setor –, a empresa antecipa os envios para que pedidos cheguem antes de 1º de agosto, quando a medida deve entrar em vigor.
Antes do tarifaço de 50% sobre o Brasil, como estava a Grendene?
As exportações do setor sofreram nos últimos anos. Percebemos recuperação na Grendene devido ao maior apetite de compradores internacionais, mas também por conta de base mais fraca. Desde o tarifaço de Trump, especialmente sobre os produtos chineses, vimos crescimento muito forte do interesse de empresas americanas em avaliar a possibilidade de ampliar os negócios com a gente, mas nada concreto.
Em valores e representação, o que significam as exportações aos Estados Unidos para Grendene?
Embora os EUA sejam o maior mercado consumidor de calçados do mundo, não são muito relevantes para a Grendene. Nos últimos anos, exportamos para lá cerca de US$ 10 milhões, ou 9% do total das exportações em termos de receita em dólares. Em número de pares, o percentual é menor, fica perto de 4%. Para nós, países da América Latina, como Colômbia e Argentina, são mais relevantes que os EUA.
Há impacto do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, apesar de ainda não estar em vigor?
Por enquanto, em termos de cancelamento de pedidos, não. As empresas e os importadores estão em modo de espera, na expectativa de que se chegue a uma solução diplomática entre os governos. O que estamos fazendo para tentar contornar um pouco a situação é embarcar para os EUA os pedidos que já temos em casa, desde que tenhamos certeza de que o produto será despachado e liberado lá antes do dia 1º de agosto, para evitar a tarifa adicional. Estamos antecipando embarques, eventualmente de forma aérea.
O que ocorrer mais para frente vamos ter de conversar com nossos clientes.
ALCEU ALBUQUERQUE
Diretor de relações com investidores da Grendene
E os pedidos que só chegariam depois de 1º de agosto?
O que ocorrer mais para frente vamos ter de conversar com nossos clientes, mas a grande expectativa é que se chegue a um acordo.
A ideia é esperar, portanto?
Exatamente, até porque uma tarifa de 50% inviabiliza a exportação para os EUA, torna o produto caro. Então, é aguardar as definições para avaliar qual será a estratégia para o mercado americano
A incerteza afeta os investimentos da Grendene?
Em nada. Em primeiro lugar, porque hoje a Grendene já tem capacidade de produção para atender eventuais incrementos no volume de pedidos. Temos capacidade para produzir 250 milhões de pares por ano, e, no ano passado, produzimos cerca de 150 milhões de pares. Então, podemos crescer bastante sem a necessidade de investimentos adicionais.
*Colaborou João Pedro Cecchini




