
Presidente da Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira ficou desolado ao constatar que os produtos que têm polo importante no Rio Grande do Sul ficaram mesmo fora da lista de exceções do tarifaço de Donald Trump.
— O sofrimento que começaria na sexta começa já – lamentou.
Dos 13% da produção nacional de calçados, diz Ferreira, 22% vão para os Estados Unidos.
— Para nós, o fato de muitos setores terem ficado de fora significa que a nossa negociação ficou fragilizada — completa.
Por isso mesmo, diz o executivo, hoje mesmo começa o trabalho com o governo federal e os estaduais para buscar as chamadas "medidas paliativas":
— Ao menos enquanto não se consegue abrir um canal de negociação para baixar para um percentual plausível.
A coluna quis saber que patamar seria esse, Ferreira ponderou que, como muitos países estão fechando acordos com 15%, esse seria um patamar "deglutível".
As linhas de financiamento anunciadas pelo governo do Estado, conforme o presidente da Abicalçados, "já não servem", porque a taxa de juro é muito elevada. O que de fato ajudaria, pondera, seria linha de crédito em dólares, com juro de mercado externo.
Ao menos, destaca Ferreira, a ordem executiva de Trump definiu quando começa de fato a cobrança da sobretaxa: tudo o que embarcar até o dia 5 de agosto fica livre.
— Havia uma grande dúvida sobre o que ocorreria com navios que estão no mar ou aviões que estão no ar — detalha.
Embora frise que não fala de um caso específico, o executivo diz que pode haver situações em que o pedido foi confirmado e o fabricante já fez um ACC (adiantamento de contrato de câmbio), mas não vai conseguir produzir tudo para embarcar até o dia 5. Esse seria um caso de risco para as empresas do setor.


