
Os diagnósticos ainda são iniciais, mas especialistas apontam que o impacto do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado na quarta-feira (9) por Donald Trump, para a economia brasileira deve se concentrar em alguns setores, com efeitos limitados sobre a atividade econômica total nacional. Ou seja, estaria longe de representar a "bomba atômica" que os patriotas que torcem contra os interesses nacionais tentam pintar.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e recebem cerca de 12% de todas exportações brasileiras, o que equivale a cerca de 2% do PIB nacional.
O gigante financeiro JP Morgan calcula que o indicador que mede a riqueza produzida no país pode ser reduzido em 0,2% a 0,3% a cada 10% de aumento na tarifa. Como a alíquota do imposto de importação de Trump é de 50%, o banco prevê impacto entre 0,8% a 1,2% do PIB brasileiro, mas afirma que, caso as taxas setoriais já aplicadas em aço e alumínio não se somem ao novo tarifaço — o que especialistas prevêem que deve ocorrer, ainda que sem certeza — o efeito será 20% menor.
A consultoria Oxford Economics avalia que o aumento tarifário de 50% terá "impactos limitados na economia brasileira". Mesmo se o Brasil retaliar com taxa de 50% sobre produtos americanos — o que não é projetado por especialistas, nesse cálculo o PIB brasileiro ficaria apenas 0,1% abaixo do inicialmente esperado para 2026. E explica: "Reflete o fato de que o Brasil é uma economia relativamente fechada e, ainda assim, bem diversificada no comércio internacional".
O maior efeito na economia real, projeta a Oxford Economics, virá da “deterioração da confiança empresarial e da crescente incerteza econômica em relação ao investimento fixo”. A simulação também aponta para desvalorização do real, o que ajuda a compensar o impacto negativo nas exportações.
Mesmo não sendo uma "bomba atômica", é melhor não subestimar os efeitos danosos da alíquota de 50%. Um relatório da XP chama a atenção para os efeitos em setores e empresas específicos, como a Embraer, que tem vendas concentradas nos Estados Unidos. Nesse caso, quanto maior a dependência dos EUA, maior será o estrago.
Por outro lado, a assessoria de investimentos com raiz gaúcha enfatiza que "a maior parte das exportações brasileiras são commodities (matérias-primas básicas, como grãos e óleo de petróleo bruto), que podem ser redirecionadas para outros mercados, reduzindo o impacto potencial".
Os 10 produtos brasileiros mais vendidos aos EUA
- Óleos brutos de petróleo
- Semi-acabados de ferro ou aço
- Café não torrado
- Aeronaves
- Ferro-gusa
- Sucos de frutas
- Carne bovina
- Celulose
- Óleos combustíveis de petróleo
- Equipamentos de engenharia
*Colaborou João Pedro Cecchini


