Os números desmentem Donald Trump. Apesar de o presidente americano justificar o tarifaço de 50% mencionando “muitos anos de políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil, causando déficits comerciais insustentáveis contra os EUA”, os dados mostram o contrário. Sobre o trecho, aliás, pode ter sido um “copia e cola” de outros enviados a países com os quais os EUA realmente têm resultado negativo.
O Brasil não só mais compra do que vende aos EUA, como também o déficit nacional, considerando só os primeiros seis meses do ano, é quase seis vezes maior do que no mesmo período do ano passado.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações brasileiras ao mercado americano somaram US$ 20 bilhões até junho, e os envios de lá para cá, US$ 21,7 bilhões, resultando em déficit nacional de US$ 1,7 bilhão. Nos primeiros seis meses do ano passado, o saldo negativo brasileiro se limitada a US$ 279,7 milhões com os EUA (veja gráfico acima).
A série histórica mostra que, há décadas, quem tem déficit com os EUA somos nós. Ou seja, Trump não tem justificativa econômica para aplicar taxas contra o Brasil — ainda mais de 50%, a mais alta entre os 22 países notificados (veja tabela abaixo).
É bom lembrar que as tarifas recíprocas, anunciadas em 2 de abril e pausadas até 1º de agosto, também tinham como argumento o saldo negativo dos americanos na relação comercial com outros países. E naquele momento, o imposto de importação que seria cobrado de produtos brasileiros era de 10%, o piso das tarifas máximas.
O comércio entre os dois países, no entanto, é muito mais importante para o Brasil: os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, tanto em importações (15% do total) quanto em exportações (12% do total).
*Colaborou João Pedro Cecchini



