
Será que agora vai? O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, o negócio que pode dar ao polêmico empresário Nelson Tanure o controle da Braskem, portanto da maior parte do polo petroquímico gaúcho.
Em nota (veja íntegra abaixo), a Braskem informou o novo avanço nesta quinta-feira (17). Conforme a companhia, a superintendência-geral do Cade decidiu pela aprovação, sem restrições, do "ato de concentração relativo à potencial transação envolvendo as ações de emissão da NSP Investimentos".
Para explicar e lembrar: a NSP é a controladora da Novonor (ex-Odebrecht), por sua vez empresa que tem hoje a maior parte das ações da Braskem. Formalmente, essa companhia repassaria a maior parte de sua atual fatia de 38,3% (veja detalhes abaixo) para o Petroquímica Verde Fundo de Investimento em Participações. Trata-se de um instrumento de investimentos de Tanure, que se tornaria, então, "titular indireto de participações societárias que representem o controle da Braskem".
Com a aprovação do Cade, ainda faltam pontos a vencer para o fechamento efetivo do negócio. Um deles é a obtenção de um acerto com a Petrobras, que é sócia relevante da Braskem, com cerca de 36% das ações.
A estatal tem acordo de acionistas com a Novonor que lhe dá direito de preferência de compra em caso de venda. Outro é um encaminhamento para o passivo da Braskem em Alagoas, hoje estimado em R$ 18 bilhões.
Quando o primeiro passo desse negócio foi dado, no final de maio, a coluna recebeu nota sobre os planos de Tanure para o negócio. Conforme o empresário, seu compromisso é "com o longo prazo, com a indústria nacional e com a construção de uma Braskem ainda mais forte, inovadora e alinhada aos desafios da nova economia".
A íntegra da nota
São Paulo, 17 de julho de 2025 - A BRASKEM S.A., em continuidade aos fatos previamente divulgados em 23 de maio e 7 de julho de 2025, comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE, no âmbito do Ato de Concentração nº 08700.006808/2025-81, proferiu o Despacho SG nº 980/2025, por meio do qual decidiu pela aprovação, sem restrições, do supra citado ato de concentração relativo à potencial transação envolvendo as ações de emissão da NSP Investimentos S.A. – Em Recuperação Judicial (“Transação”), objeto do Fato Relevante de 23 de maio de 2025. A decisão pela aprovação da Transação está sujeita à observância do prazo legal de 15 (quinze) dias para eventuais manifestações de terceiros ou avocação do Tribunal do CADE, que se iniciará a partir da publicação do referido Despacho.
Quem é Nelson Tanure
Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure nasceu em Salvador (BA), em 1951. Filho de um comerciante libanês, fez carreira no Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido por comprar empresas quebradas ou endividadas, que buscar recuperar por meio de reestruturação financeira e novos investimentos. Já teve atuação em Oi, Gafisa, Light e além de pequenas empresas do setor de petróleo e infraestrutura. Nos anos 2000, ganhou visibilidade com a compra de jornais como o tradicional Jornal do Brasil e o arrendamento da Gazeta Mercantil.
Embora seus negócios sejam quase sempre barulhentos e, não raro, sofram disputas judiciais, Tanure tem perfil discreto, raramente concede entrevistas e atua por meio de fundos de investimento, como Société Mondiale, WTN e o Petroquímica Verde.
Atualmente, além do negócio com a Braskem, negocia a rede espanhola de supermercados Dia, com 246 lojas em São Paulo e avalia uma fusão com o GPA, grupo controlador das marcas Pão de Açúcar, que já foi de Abílio Diniz, e Extra, com cerca de 700 lojas no Brasil.
O imbróglio da Braskem
A Braskem está à venda desde 2018. A companhia é controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), que entrou em crise depois da operação Lava-Jato. A empresa privada tem 38,3% do capital total da Braskem e 50,1% das ações ordinárias, enquanto a Petrobras tem 36,1% do e 47% das ordinárias.
O primeiro ensaio, em 2019, foi uma tentativa de evitar a recuperação judicial da então Odebrecht. Mas fracassou, por falta de transparência na avaliação dos passivos por danos na mineração de sal-gema em Maceió (AL). Não por acaso, o pedido de RJ veio 15 dias depois.
Desde então, a Braskem fez sucessivas reavaliações sobre suas despesas com indenizações a moradores, à prefeitura da capital alagoana e ao governo do Estado. Atualmente, está por volta de R$ 18 bilhões. Ainda houve uma tentativa de venda à estatal de petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, que também não avançou. A tentativa anterior mais recente havia sido uma negociação entre os bancos credores da Novonor para executar a dívida com garantia nas ações da Braskem e passar a gerir a empresa a partir do fundo Geribá, que já foi controlador da Polo Films, uma das raras empresas do polo que não pertence à Braskem.



