
Presidente da Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira participou na manhã desta terça-feira (15) da primeira reunião entre representantes do governo e dos exportadores brasileiros depois da imposição da alíquota de 50% por Donald Trump.
— Cada um saiu com uma tarefa, mas o objetivo é voltar à tarifa de 10%. O que era ruim já começa a ser menos ruim, infelizmente — relatou o executivo à coluna.
Segundo Ferreira, todos os setores representados no encontro relataram os impactos da megataxação, logo depois das manifestações do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Geraldo Alckmin, e da embaixadora Maria Laura da Rocha, secretária-geral do Itamaraty, que vão conduzir as negociações. Só depois falaram os outros ministros participantes, como Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento) e Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).
— O que todos pediram foi negociação, negociação, negociação — afirma Ferreira.
O foco, reforçou o presidente da Abicalçados, é tentar resolver o problema até o dia 31, já que a tarifa deve entrar em vigor em 1º de agosto. Reivindicada por muitos setores, a prorrogação de 90 dias só seria buscada caso não haja solução até lá.
– Todo mundo quer uma solução até o dia 31. Mas o dia 31 é 'amanhã'. Sabemos que não é tão simples. Caso não consigamos, melhor do que ter taxação seria prorrogar por 90 dias.
Na reunião, Alckmin fez um relato das negociações que já estavam em curso. A última etapa havia sido o envio de uma carta "confidencial" ao governo americano, no dia 4 de julho, que até hoje está sem resposta. Então, o primeiro passo por parte do governo brasileiro será solicitar uma devolução dessa proposição.
— Foi uma boa reunião, sentimos que o governo está fazendo todos os esforços para conseguir negociar o quanto antes. As tratativas serão conduzidas pelo Mdic e pelo Itamaraty.
Na parte das tarefas dos setores privados, ficou combinado que os que têm negócios complementares nos EUA farão contato com os americanos para ajudar a pressionar o governo Trump. Não é o caso dos calçados, observa Ferreira. Embora existam empresas que exportam com marca própria, como a Grendene, detalha, a maioria vende calçados chamados "private label", ou seja, fabricados sob encomenda no Brasil para receber uma marca americana lá.
Como na coletiva que se seguiu ao pronunciamento de Alckmin foi mencionada uma tarifa de 30%, o presidente da Abicalçados afirma que não houve consideração sobre essa possibilidade.
— Não falamos em tarifa de 30%. Toda a negociação é para retornar à tarifa de 10% — insistiu.





