
É tão absurda a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar as exportações do Brasil ao seu país em 50%, que há um coro entre especialistas em comércio exterior: muita calma nessa hora.
— Agora decanta e pensa com muito cuidado nos próximos passos — reforça Lívio Ribeiro, sócio da BRCG Consultoria e pesquisador associado do FGV Ibre.
Não só o percentual vai além de qualquer racionalidade, como os termos da carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva fogem do modelo que já foi enviado a outros 21 países. O texto abre, nada mais, nada menos, afirmando que o modo como vem sendo tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro é uma "vergonha internacional" (veja a carta acima).
Com a explicitação da motivação política, essa tarifa se torna ainda mais irracional do que as demais. É a mais elevada entre todas as já anunciadas (veja tabela abaixo) depois da "trégua" que termina exatamente nesta quarta-feira (9) .
— Nenhuma tarifa recíproca tem explicação. É instrumento de bullying — reforça Ribeiro.
Além de impor a tarifa gigante, Trump ordenou a abertura de investigação por "práticas comerciais desleais" contra o Brasil. O presidente americano cita "ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais". Mais uma motivação política.
Essa inclinação tende a dificultar ainda mais qualquer tentativa de negociação entre os dois governos, porque não há base técnica sobre a qual discutir.
— Difícil, bem difícil — prevê Ribeiro sobre os próximos passos do governo brasileiro.
A "cartinha" de Trump foi conhecida depois do fechamento do mercado. E só com a ameaça de anúncio de uma nova tarifa para o Brasil, o dólar subiu 1,06%, para R$ 5,503, enquanto o principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), o Ibovespa, caiu 1,31%, para 137.480 pontos. Até aquele momento, o risco que estava no cenário era a taxa adicional de 10% que o presidente americano havia mencionado para países dos Brics.
Os 10 produtos brasileiros mais vendidos aos EUA
- Óleos brutos de petróleo
- Semi-acabados de ferro ou aço
- Café não torrado
- Aeronaves
- Ferro-gusa
- Sucos de frutas
- Carne bovina
- Celulose
- Óleos combustíveis de petróleo
- Equipamentos de engenharia




