
Entre tantas idas e vindas, até parece mais, mas Donald Trump, acaba de completar, no domingo (20), apenas seis meses na presidência dos Estados Unidos. De lá para cá, além das tarifas que ameaçam o comércio internacional, contribui, com seus gestos imprevisíveis, para a perda de valor do dólar, considerado até então incontestável.
Entre 20 de janeiro e a última sexta-feira (18), o real valorizou 9,1% frente à moeda americana. No acumulado do ano, a apreciação é ainda maior, de 11,6%. O levantamento é da Austin Rating. Mas, afinal, é o real que está se fortalecendo, ou o dólar que perde força?
Para explicar, o economista-chefe da agência de classificação de risco, Alex Agostini, usa outro dado: das 117 principais denominações do mundo, 71 se valorizaram frente ao dólar neste ano (veja tabela abaixo). Ou seja, há de fato um enfraquecimento global da moeda americana. Além disso, o câmbio decolou no Brasil com a decepção sobre o pacote de corte de gastos de dezembro e abriu 2025 cotado a R$ 6,162.
— Não é a percepção de que o dólar não é mais seguro. Só que o nível de alocação (decisão de onde colocar o dinheiro) está mudando devido ao aumento de risco nos EUA. A gestão de Trump está se mostrando muito atabalhoada — diz Agostini.
Entre os fatores que contribuem para o desgaste da moeda americana, conforme o economista, estão as tarifas, que provocam incerteza, e a ameaça de Trump de reduzir o juro por lá à força, o que traz perda de credibilidade ao Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Na prática, o potencial resultado é o menor crescimento da atividade econômica e dívida americana crescente.
— O diferencial de juro (quanto a taxa aqui está maior do que a dos EUA, hoje de 10,5 pontos percentuais) ajuda a valorizar o real, mas quando olhamos os fatores de risco nacionais, não teve mudança, ao contrário. Seguimos em uma briga para fechar as contas fiscais, houve judicialização do IOF. Os fatores de risco continuam. O cenário é global, mesmo — completa Agostini.
Outra leitura que permite a mesma conclusão: entre 20 de janeiro e a última sexta-feira, o real se desvalorizou 2,6% frente ao euro. Não é, mesmo, a moeda brasileira que está mais forte.
*Colaborou João Pedro Cecchini




