
Uma das estratégias combinadas na primeira reunião de empresários com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Geraldo Alckmin, foi tentar pressionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a tarifa de 50%, pelos clientes dos exportadores nacionais.
Duas importadoras de suco de laranja, Johanna Foods e Johanna Beverage Company, recorreram à Corte de Comércio Internacional dos EUA, em Nova York, em 18 de julho. O objetivo é obter medida cautelar contra o aumento da alíquota do produto que compram do Brasil. É a mesma corte que havia barrado todo o tarifaço, ainda em maio, mas teve decisão derrubada em seguida.
Os compradores americanos são a parte mais diretamente interessada porque são eles que, na prática, arrecadam o imposto de importação elevado pela tarifa. No entanto, como faz parte do custo do produto, não costumam arcar com o custo: ou repassam para o varejo ou tentam negociar com o fornecedor.
O retrospecto das decisões do Tribunal de Comércio Internacional não é muito promissor, mas isso não quer dizer que não haja esperança. O tarifaço anunciado no "Dia da Libertação" foi embasado na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977. A alegação envolve grandes déficits que os EUA mantêm com a grande maioria de países.
Com o Brasil, no entanto, a situação é inversa: é um dos poucos com os quais os EUA têm superávit, ou seja, os americanos vendem mais aos brasileiros do que compram – situação ambicionada por Trump. Essa particularidade pode sustentar em outras cortes eventual decisão favorável aos importadores do Tribunal de Comércio Internacional.
Na justificativa do apelo à corte, Robert Facchina, diretor executivo da Johanna Foods e Johanna Beverage Company, afirma que o tarifaço provocará prejuízo ao grupo, aumento para os consumidores entre 20% e 25% e também poderá causar demissões. É difícil? É. Mas é preciso tentar.


