
Além de Haroldo Ferreira, presidente da Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados), outro gaúcho participou das duas rodadas de consulta do governo Lula a exportadores afetados pelo tarifaço de 50% de Donald Trump. Thômaz Nunnenkamp representou a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) na reunião da tarde, focada no agro – o que incluiu agroindústria.
A coluna quis saber se foi apresentado algum cenário sobre os próximos movimentos ou se foi definido algum cronograma do futuro imediato da reação brasileira:
— Não existe cronograma. O governo entende que há urgência em negociar, mas não definiu os próximos passos. Uma das sugestões foi fazer pressão via fóruns privados, até porque até agora não houve, sobre o tarifaço, uma medida oficial do governo americano, só aquela publicação da rede social de Trump.
Segundo Nunnenkamp, o fato de a carta que Trump publicou em suas redes ter motivação política é "muito ruim" porque dificulta a identificação de pontos para início da negociação. Mas diz ver o governo ainda "tateando" e diagnostica que "ainda está com muita vontade de explicar, mas tem de procurar resolver". E afirma:
— Virou assunto político, não só econômico. Não é questão quem está com a razão, todos querem que se volte para a situação anterior (tarifa de 10%).
Nunnenkamp pondera que existe muita assimetria entre os prejudicados, não só entre setores mas até entre empresas do mesmo setor.
— Por exemplo, os EUA representam 20% das exportações de calçados brasileiros, mas as compras do Brasil representam uns 0,5% para os americanos. É fácil encontrar outro fornecedor. Com café e suco de laranja não é bem assim.
Para as empresas mais dependentes das exportações para os EUA, defende o empresário, será preciso encontrar ou solução ou compensação:
— É preciso que o governo pense em medidas para ajudar empresas, como ocorreu na pandemia e na enchente aqui no Estado, pensar em alternativas como layoff (suspensão temporária dos contratos de trabalho) ou créditos, porque não é fácil achar outro mercado para produtos como suco de laranja e café.
Nunnenkamp foi o candidato à presidência da Fiergs que perdeu a eleição para Claudio Bier por um voto. Não compõe, portanto, a atual diretoria. Mas disse que foi representar a entidade na reunião da tarde porque já estava em Brasília ontem.




