
Os setores que não entraram na lista de exceções ao tarifaço de 50%, metade ou pouco mais de todas as vendas do Brasil aos Estados Unidos, agora dependem do plano de contingência do governo federal. Esse nível de taxação, é bom lembrar, não "atrapalha" a venda. Simplesmente inviabiliza.
As medidas estão prontas, conforme o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Mas na manhã desta quinta-feira (31), com a taxação americana oficializada e a lista dos setores mais impactos já bem conhecida, Haddad foi evasivo ao falar sobre a apresentação do plano: voltou a falar em um prazo indefinido, "nos próximos dias".
É hora de apresentar as medidas, ao menos para avaliação de seu alcance e da necessidade de eventuais ajustes. Como o próprio Haddad mencionou, o "ponto de partida" das negociações foi melhor do que se previa, mas os setores que ficaram fora das exceções vão precisar de ajuda enquanto tentam redirecionar suas vendas e reorganizar seus negócios.
Como é exigido de quem defende a necessidade de equilíbrio fiscal, a coluna não defende ajuda a qualquer custo: é necesário calibrar urgências efetivas e danos reais. Mas também é preciso ser transparente sobre o que de fato pode ser útil e o que seria apenas anúncio protocolar. Representante da indústria de calçados, que tem polo importante no Rio Grande do Sul, Haroldo Ferreira já disse à coluna que linhas de crédito com juro alto, por exemplo, "não servem".
Haddad mostrou conhecimento e sensibilidade ao dizer que é preciso considerar não apenas os setores com maior peso na exportação aos EUA:
— Existem setores que são pequenos, mas muito frágeis. Não são representativos, mas (a tarifa) pode ter um efeito muito grande nesses negócios. É preciso tratar cada um segundo a sua necessidade. É importante para o Brasil manter empregos.
Também ponderou que, embora os produtores de matérias-primas básicas tenham "solução de curto prazo mais fácil" (redirecionamento da mercadoria para outros países), também precisam de "algum tempo de adaptação".
— Sobretudo nos últimos 10 dias, parecia haver abertura aos argumentos da diplomacia, sobretudo por meio do vice-presidente (Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento), mas também do Itamaraty. Não sabíamos se ia se traduzir já. É bom que o ponto de partida tenha sido melhor, mas estamos longe do ponto de chegada — afirmou.
O governo Lula pode ajudar a encurtar esse caminho apresentando logo as suas alternativas.






