
Depois de abrir com alta de 1,82%, no patamar de R$ 5,60, o dólar moderou a inclinação e fechou com elevação menor, de 0,7%, para R$ 5,542. A bolsa de valores também teve sinal positivo, mas também mais cauteloso, de 0,4%. A pequena queda, no entanto, foi suficiente para o Ibovespa cair ao nível dos 136 mil pontos, muito longe da máxima histórica conquistada há poucos dias.
Na bolsa, as ações da Embraer tiveram forte queda, de 3,7%. Aeronaves são o quarto produto mais exportado para os Estados Unidos. E diferentemente de matérias-primas básicas, é muito difícil "redirecionar" a venda de aviões.
O mercado tenta recuperar a prudência diante do consenso, aqui e nos EUA, que a imposição de tarifa de 50% do Brasil é totalmente absurda. Apenas para comparar, cobra alíquota de 36% da Tailândia, com a qual teve déficit de US$ 22,7 bilhões em 2024, mas 50% do único país da lista dos 22 notificados com o qual tem superávit, de US$ 3,2 bilhões no mesmo período.
Quem defende interesses de grupo acima do interesse público nacional insiste que o "erro" do Brasil foi sediar a reunião dos Brics. Até agora, China e Rússia, dois dos integrantes de maior peso do grupo, receberam tratamento diferente. Com a China, os EUA fecharam acordo que passa pelo maior acesso às terras raras do gigante asiático.
A Rússia, sem qualquer explicação racional, ficou fora tanto da primeira rodada da imposição das "tarifas recíprocas", em 2 de abril, quanto da atual revisão. É um país sobre o qual pesam embargos americanos e europeus, mas isso não impediu Trump de reduzir a sobretaxa para o Iraque: era 39% em abril e virou 30% na quarta-feira.
E ainda sobre interesse de grupo, circulou no mercado financeiro o rumor de que, diante da insustentabilidade da megatarifa, alguém da família Bolsonaro mediaria uma redução. Sim, soa absurdo, mas estamos circulando nesse terreno há quase 24 horas. Se isso ocorrer dessa forma, a Embraer já tem CPF para processar por perdas e danos.
*Colaborou João Pedro Cecchini



