
Ao afirmar que "qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não necessariamente está avisando que também vai adotar alíquota de 50%.
Inclusive, se ouvir recomendações de 11 entre 10 especialistas em comércio exterior vai evitar esse tipo de represália.
— O Brasil não vai retaliar da mesma forma porque o que mais importamos dos Estados Unidos são insumos, máquinas, equipamentos, peças. Prejudicaria a própria indústria brasileira se elevasse as tarifas na mesma proporção — pondera Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor na área.
Conforme Barral, a mais recente mudança na Lei de Reciprocidade Comercial permite que o Brasil adote algum tipo de "retaliação cruzada" sem autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC), cuja efetividade foi minada pelos EUA ainda antes dos dois mandatos de Trump. O consultor pondera que a alteração foi feita exatamente para compensar a "fragilidade" da instituição que deveria regrar o comércio internacional.
— O Brasil tem os mecanismos legais para poder aplicar uma retaliação desse tipo — sustenta Barral.
Esse tipo de resposta envolve a adoção de represálias diferentes da que foi imposta pelo "parceiro", com efeito até mais eficaz. Um exemplo citado por Barral é retaliar cassando ou suspendendo patentes de medicamentos americanos no Brasil.
— O lobby mais poderoso em Washington é o das farmacêuticas. Uma ameaça desse tipo mobilizaria todo o Congresso americano para evitar, além de eventuais perdas no Brasil, um precedente de um país importante que poderia se estender a outros países do mundo.
Os 10 produtos brasileiros mais vendidos aos EUA
- Óleos brutos de petróleo
- Semi-acabados de ferro ou aço
- Café não torrado
- Aeronaves
- Ferro-gusa
- Sucos de frutas
- Carne bovina
- Celulose
- Óleos combustíveis de petróleo
- Equipamentos de engenharia




