
Como se temia diante do tarifaço, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou suas projeções para este ano e concluiu que o saldo entre exportações e importações deve encolher 27,4% em relação ao obtido no ano passado (veja os dados no final do texto). A conta leva em conta todo o comércio do Brasil, não só com os Estados Unidos.
O valor previsto para este ano, de US$ 54,1 bilhões, seria o menor desde 2020, ano da pandemia. Um dos efeitos do menor superávit é a redução no saldo cambial (entrada e saída de dólares) do país, com possível impacto, também, no crescimento econômico medido pelo Produto Interno Bruto (PIB).
Presidente executivo da entidade, José Augusto de Castro explica que os cálculos têm como base o cenário atual de indefinições e oscilações bruscas, com guerras, instabilidade econômica mundial e aumento de tarifas norte-americanas de importação (tarifas), entre muitos outros fatores.
— Definir o amanhã é, mais do que nunca, um exercício de futurologia — ressalva Castro.
O curioso é que a redução do saldo comercial não será determinada por redução de exportações, que devem se manter em relação aos valores de 2024. A entidade projeta até uma certa "estabilidade positiva", com variação de 0,1% para cima. O que deve determinar o resultado menor é o aumento das importações.
Conforme a AEB, as três principais matérias-primas (commodities) que o Brasil exporta enfrentam queda na cotação e representam cerca de 30% do valor total. A maior é a do minério de ferro, de 14,3%, seguida pela do petróleo, de 10%, e da soja, de 6,9%. Então, mesmo com aumento na quantidade, deve ocorrer redução no valor.
As projeções da AEB para 2025
- Exportações | US$ 337,5 bi | +0,1%
- Importações | US$ 283,4 bi | +8%
- Saldo | US$ 54,1 bi | -27,4%
As causas desse cenário
- Tarifaço dos Estados Unidos
- Guerra entre Rússia e Ucrânia
- Instabilidade econômica mundial
- Agressividade comercial da China
- Ações defensivas e ofensivas de EUA e Europa
- Enfraquecimento da OMC
- Rearranjo industrial no mundo em transição
- Inflação mundial
- Oscilações das commodities
- CâmbioLeia mais na coluna de Marta Sfredo



