
Uma das expectativas em torno do acordo de livre-comércio entre Mercosul e Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta, bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), anunciado na quarta-feira (2), é uma chance para deixar mais barato o chocolate suíço para os consumidores brasileiros.
Por um lado, pode se confirmar na prática: o produto entrará no Brasil em sistema de cotas — ou seja, uma fatia das importações ainda a ser definida será livre de tarifas quando o acordo Mercosul-Efta entrar em vigor. Hoje, os chocolates importados pelos países do bloco sul-americano pagam imposto de 20%.
Por outro lado, conforme Adilson Reis, analista da consultoria Mercado do Cacau, há duas questões que apontam na direção contrária: a valorização do cacau no mercado internacional e o posicionamento de marcas de origem suíça, como Lindt, Milka e Toblerone, que se diferenciam como produtos mais caros para um público específico.
Para o especialista, o acordo de livre-comércio não deve impactar no preço dos chocolates suíços:
— Houve variação absurda de preço do cacau, de cerca de 300% em um ano e meio. A África, que produz 72% do cacau no mundo, teve perda de quase 800 mil toneladas, não só pela questão climática, mas também por degradação da plantações causada por doenças. As empresas podem usar o acordo como incremento de receita para suprir o que estão perdendo — diz Reis.
Lindt prevê preços... mais altos
À coluna, um porta-voz da Lindt compartilha de avaliação parecida. Saúda o novo tratado Mercosul-Efta, mas afirma que não deve gerar impacto aos consumidores brasileiros:
— Devido à forte alta do do cacau, prevemos aumentar os preços.
O porta-voz ainda lembra que nem todos os chocolates da Lindt vêm da Suíça. A empresa tem 12 fábricas na Europa e nos Estados Unidos, o que significa que parte do que é enviado ao Brasil não se enquadra no acordo Mercosul-Efta.
Procurada pela coluna, a Associação Brasileira da Indústria
de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) afirma que "os termos do acordo ainda não foram enviados à indústria brasileira de chocolates" Por isso, considera "prematuro qualquer comentário". A coluna fez consulta à Mondelez, multinacional que produz Milka e Toblerone, mas não obteve retorno até a publicação desta nota.
Conforme dados do do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o envio de chocolates da Suíça para o Brasil somaram US$ 24,3 milhões em 2024, dos quais US$ 137,4 mil tiveram como destino o Rio Grande do Sul.
*Colaborou João Pedro Cecchini





