
O tarifaço que entra em vigor no dia 6 de agosto tem uma lista de 694 exceções (veja abaixo) que divide quase ao meio os exportadores para os Estados Unidos. Os percentuais variam, mas as estimativas são de que entre 35% e 50% das vendas brasileiras aos americanos ficaram livre da alíquota complementar. Nas contas do governo Lula, 45% do comércio com os EUA está fora do tarifaço.
Foi um alívio, mas também um problema, e não só para os que não conseguiram escapar da taxação punitiva. O Trumpverso das relações comerciais criou uma nova nação fictícia, depois da Belíndia (parte Bélgica, parte Índia, que representava a desigualdade do Brasil).
Agora, a exportação para os Estados Unidos vive no Britlaos (parte britânica com 10%, parte Laos com a segunda maior tarifa, de 40%). É uma nova distorção econômica no já amplo cardápio de desequilíbrios do Brasil. Na lista de exceções, há produtos pouco compreensíveis, como buzinas para bicicletas.
A lista de exceções não é óbvia. Ninguém entende, por exemplo, porque o suco de laranja entrou, mas o café ficou fora. Assim como a carne, sendo que o tipo exportado para os americanos é usado principalmente para compor a mistura dos hambúrgueres. Então, o foco não foi apenas o risco inflacionário por lá.
Uma das teses é de que ficou sem tarifa adicional quem fez mais lobby, tanto no governo americano e no brasileiro. Como tudo o que envolve a irracionalidade de Trump, é só isso mesmo, uma hipótese. Até a manga, que chegou a ser citada pelo secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, como exemplo de produto que poderia não ser sobretaxado porque não é produzido por lá, está sobretaxada em 50%.
Analistas de comércio exterior ponderam que, como as exceções acabaram se concentrando em produtos industriais, há uma vantagem: ficaria mais fácil redirecionar as vendas para outros destinos. Matérias-primas básicas como café, carne bovina e açúcar teriam maior chance de encontrar clientes em outros países.





