
A situação surrealista do Brasil, único país com o qual os Estados Unidos têm superávit comercial a ser atingido pelas "tarifas punitivas", que vão de 20% a 50% nas últimas semanas, recebeu mais uma pincelada de absurdo com a abertura de "investigação comercial". Só mesmo entre aspas.
A justificativa é investigar "práticas consideradas injustas em áreas sensíveis como comércio digital, pagamentos eletrônicos e tratamento a empresas americanas de tecnologia".
Outra vez, assim como a carta de Trump, não é mais do que um atentado às instituições nacionais. Embora o conceito de soberania tenha sido desgastado nos últimos anos, é bom lembrar do que se trata: o direito exclusivo de um Estado – no sentido de nação – de exercer poder e tomar decisões sobre si mesmo.
A tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros já vem sendo chamada, por especialistas em comércio exterior e até exportadores brasileiros de "embargo", porque simplesmente inviabiliza a venda. Agora, Trump quer somar sanções. Sim, porque é usual que investigações comerciais derivem para esse tipo de medida.
E outra vez, é bom ver a definição de sanções econômicas: são medidas que têm como objetivo desestabilizar a economia de um país, por meio da restrição ou proibição total de realizar trocas comerciais. Isso vai depender do que concluírem as investigações? Não necessariamente.
Na terça-feira (15), ao ser indagado sobre os motivos do tarifaço contra o Brasil, fora de toda a cartilha de sua guerra comercial, Trump disse o óbvio:
— Estamos fazendo isso porque eu posso fazer. Ninguém mais conseguiria.
Atualização: realmente, não falta nada. Entre os alvos da investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas comerciais "desleais", está... o Pix. Embora o documento não cite o nome da ferramenta, aponta a "vantagem dos serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo".

