
Do ponto de vista de Eric Daza, consultor sênior da LAC Clean Hydrogen Action Alliance, iniciativa surgida na COP 26 para transformar América Latina e Caribe em líder global na produção e exportação de energia limpa, o hidrogênio verde é uma solução "sim ou sim" para a transição energética. E explica:
— Existem setores, como o de ferro e aço, que não tem como descarbonizar se for o hidrogênio verde.
Gaúcho, Daza vê no "gigante potencial eólico" do Estado uma grande oportunidade, porque o hidrogênio verde tende a ser mais competitivo com energia eólica e solar. E lembra:
— No Brasil, o potencial eólico está no Nordeste e no RS. Apesar de o governo do Estado ter lançado recentemente o programa de descarbonização, o Nordeste tem se mostrado mais audacioso em alguns polos, como o Porto de Suape, em Pernambuco, o de Pecém, no Ceará, e projetos no Piauí.
O consultor diz que gostaria de ver o RS avançando mais rápido. Embora neste momento veja o Nordeste se movimentando mais, pondera que "é um jogo que ainda está aberto":
— Pode mudar em um ou dois anos, mas tem um timing que temos de aproveitar.
Enfatiza que que todos os estudos colocam o Brasil entre os 10 maiores potenciais em produção de hidrogênio verde. E acrescenta:
— A dúvida é onde exatamente será o polo no país. Em teoria, as duas regiões com maior potencial são Nordeste e RS.
Em viagens e eventos de que participa, relata, ouve falar muito em Ceará, Pernambuco, Piauí e Bahia, mas pouco do RS. Ressalva que não há qualquer fábrica funcionando, nem mesmo no Porto de Pecém, no Ceará, que fez um acordo com o gigante porto de Roterdã, na Holanda.
— Os cearenses conseguiram se articular e têm uma lista de empresas que já declararam potencial investimento, fizeram acordos, compraram terras — afirma.
Avalia que o RS tem diferenciais que outros Estados não têm, como índice educacional mais alto, setor industrial mais forte, que já poderia comprar o hidrogênio feito localmente. Mas vê outros avançando mais em alianças. Diz que aqui seria possível produzir fertilizantes a partir de hidrogênio verde, já que existe demanda local capaz de absorver.
— Uma planta para fazer hidrogênio verde e amônia, custa ao menos US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões, na cotação atual). Não estou dizendo que o RS não tem alianças. O meu ponto é que quem vai ganhar a corrida não é quem tem o menor custo ou quem faz melhor, é quem se posicionar antes. Até por exigir investimentos bilionários, não teremos 10 hubs energéticos no país, mas dois ou três. Podemos até estar fazendo melhor, e em alguns aspectos acredito que estamos, mas, se não chegarmos antes, não vamos nos posicionar adequadamente.
O que é hidrogênio verde
É um combustível produzido por um processo conhecido como eletrólise, que exige grande volume de água e de energia. Para obter hidrogênio, o processo básico é separar as moléculas da água (H2O), ou obter hidrogênio e oxigênio separados. O "verde" é referência ao uso de fontes limpas de energia, em oposição ao "cinza", que tem fonte fóssil. Seu uso mais conhecido é para abastecer veículos, mas também pode ser usado para geração de energia e calor para prédios e na produção de fertilizantes "desfossilizados".
*Colaborou João Pedro Cecchini




