O jornalista Leonardo Vieceli colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
A possível criação de um imposto nos moldes da antiga CPMF provoca debates acalorados no país. A expectativa é de que a contribuição apareça na proposta de reforma tributária do ministro da Economia, Paulo Guedes. O novo imposto atingiria transações financeiras digitais e serviria para compensar a perda de arrecadação com a desoneração da folha de pagamento de empresas. O projeto deve ser entregue por Guedes ao Congresso na terça-feira (21).
Diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), o tributarista Eurico Santi adota cautela ao avaliar o assunto. O especialista considera "muito difícil" falar em impactos de uma nova CPMF no momento. Ele lembra que, por um lado, a medida poderia gerar taxação em cascata ao longo de uma cadeia produtiva. Mas, ao mesmo tempo, poderia resultar em um imposto "mais simples de ser instituído".
– Tudo vai depender do desenho – diz. – Mas me parece legítimo o pleito do Guedes. Se ele conseguir instituir esse imposto e desonerar a folha de pagamentos, poderá incentivar o emprego – acrescenta.
O CCiF é idealizador de uma das duas propostas de reforma tributária que já estão no Congresso. O projeto do centro prevê a criação de um imposto único sobre bens e serviços. Existe expectativa de que o texto de Guedes seja complementar aos que já estão em debate entre parlamentares.
– Não conhecemos até o momento o projeto do governo. É uma coisa interna ainda – relata Santi. – Estamos convivendo com o mesmo sistema tributário desde que Pelé e Garrincha marcavam gols. Foi construído para um momento que não existe mais. A economia está arrasada, e precisamos recriar o ambiente de negócios – completa.
Santi afirma que ainda não avaliou de maneira detalhada a proposta de reforma tributária do governo gaúcho. Mas entende que a ideia de simplificar a cobrança de impostos, uma promessa do governador Eduardo Leite, pode atrair investimentos.



