
Uma das consequências mais dramáticas da crise econômica provocada pelo coronavírus é o aumento do risco e, portanto, do juro, no sistema financeiro. No momento em que é preciso que recursos cheguem às empresas, os bancos ficaram mais exigentes e cobram mais caro pelos empréstimos. Como nas empresas a vulnerabilidade ao contágio financeiro é maior quanto mais faltam recursos, uma empresa com caixa tomou uma iniciativa que pode ser copiada.
Diante dessa circunstância e interessada em manter suas vendas, a Braskem passará a oferecer, a partir de abril, até R$ 1 bilhão em crédito extra a seus clientes. Os recursos só podem ser usados na compra dos produtos da empresa, que são resinas plásticas como polietileno, PVC, soda cáustica, solventes e especialidades químicas. Também é preciso ter crédito pré-aprovado e estar em dia com financiamentos já existentes. O juro será equivalente ao do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que não é igual à taxa básica, mas um dos menores custos no mercado.
É claro que o foco da Braskem é manter suas vendas, mas o financiamento é uma forma de facilitar a manutenção dos negócios de empresas que não tem capacidade de caixa como a da gigante petroquímica, que no Rio Grande do Sul é dona de quase todo o polo petroquímico de Triunfo. Muitos dos produtos feitos com essas resinas, como filmes plásticos, são usados na embalagem de produtos essencias, como leite e outros alimentos.
Em nota, a Braskem afirma que a companhia tem condições de oferecer esse apoio aos clientes sem comprometer o caixa e convida "nossos fornecedores e parceiros a participar desse esforço, fundamental para a manutenção da indústria e dos empregos". Ou seja, quem tem caixa ajuda quem não tem.
A recomendação do estudo é de que as metas do programas econômicos devem ser permitir atrasos nos pagamentos de hipotecas e aluguéis, garantir pagamento de salário para funcionários em quarentena ou com contratos suspensos (no modelo layoff), assegurar que as empresas tenham caixa suficiente para pagar salários e fornecedores, especialmente para pequenas e jovens empresas, e apoiar o sistema de saúde para que uma crise de saúde não se torne uma crise financeira.



