
Pelos dados anunciados pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) logo no dia 26, o Natal de 2019 havia registrado aumento nas vendas de 9,5% em relação ao do ano anterior. No final da semana, porém, surgiu uma surpresa: outra entidade, a Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), contestou o dado e avisou que pretende entrar na Justiça contra a Alshop por divulgar informações erradas.
Presidente da Ablos e fundador da rede TNG, o empresário Tito Bessa Jr disse ao jornal Folha de S.Paulo que uma pesquisa interna da sua entidade apontou que 70% das lojas tiveram desempenho pior ou igual a 2018 e 30% disseram que melhorou pouco. Chegou a falar em "mentira" e a acusar a Alshop de manipular os dados com "alguma segunda intenção".
A Alshop representa 400 empresas com 30 mil pontos de venda. Tem como associadas grandes redes de varejo que costumam ter lojas maiores, chamadas de "âncoras" nos shoppings. A Ablos é uma entidade recém-fundada, em fevereiro deste ano, com cerca de 90 marcas satélites, de lojas menores, com até 180 metros quadrados. Conforme vários depoimentos colhidos pela Ablos, de redes com MOB, Gregory e SideWalk, apesar de ter havido aumento de vendas na Black Friday, no Natal o registro foi de recuo em relação a 2018.
A Alshop sustenta seus números, que seriam semelhantes aos de outra entidade, a Abrasce, que representa os administradores de shoppings. Em Porto Alegre, como a coluna relatou, três dos maiores empreendimentos – BarraShoppingSul, Iguatemi e Praia de Belas – apontaram aumento de vendas entre 8% e 13%, também em linha com os dados da entidade que representa lojas-âncora.
A diferença no perfil dos associados das duas entidades pode explicar parte das diferenças de percepção. Grandes lojas costumam lucrar com o alto volume de vendas, portanto podem manter preços mais baixos. As menores precisam de uma margem de lucro mais robusta para compensar o giro menos intenso. Como a renda da população não subiu significativamente, presentes de menor valor unitário são os preferidos.
Outra pesquisa sobre aumento no fluxo de clientes em shoppings durante o período que antecedeu o Natal dá uma dica sobre onde está concentrado o crescimento: concentra-se no Norte (10,9%), no Nordeste (6%) e no Centro-Oeste (7,7%). No Sudeste, houve queda de 2,9% e no Sul, recuo de 0,4%. Mas é intrigante que até levantamento de vendas de Natal tenha se tornado alvo de polarização no Brasil de 2019.





