
Enquanto o Brasil esperava o comunicado do G7 que acenou com ajuda para "países afetados" – no plural – por incêndios na Amazônia, outra parte dos holofotes de Biarritz, no sudeste da França, estava voltada para Donald Trump. E o presidente dos Estados Unidos voltou a espalhar pânico nos mercados, mesmo em pleno domingo. É o que tem feito há 17 meses, obtendo como resultado uma onda de medo de recessão global.
Primeiro, admitiu rever (respondeu "sim" a uma pergunta sobre "second thought") a aplicação de novas tarifas a produtos chineses. Depois, a Casa Branca esclareceu que reconsideração, se houvesse, seria de aumento na sobretaxa, não redução ou retirada. As bolsas que já operavam, de praças pouco influentes como Dubai,
Riad e Tel Aviv, caíram de 2% a 3%.
A guerra comercial que Trump deflagrou em março de 2018 teve, até agora, dois efeitos nos EUA: desaceleração da economia e alta do dólar, ambos negativos. É como se Trump insistisse em fazer alvo no próprio pé, repousado sobre o globo. Não há um único país que ganhe com isso.
Na sexta-feira, a China acordou o mundo com retaliação de taxa extra sobre US$ 75 bilhões das importações dos EUA, e foi ter insônia (dormir, quem há de?) sob represália de duas novas altas, uma delas para 30%. Além dos prejuízos à próprio pé e à própria casa, Trump contrata uma desaceleração global com início previsível e fim insondável. A semana vai começar sob esse novo impacto.





