Desde o final de julho os mercados financeiros operam como montanha-russa, por medo de recessão global. Em um dia as bolsas desandam, no seguinte se recuperam. É a turbulência que costuma preceder perdas pesadas. Nesta quinta-feira (15), no Brasil a bolsa caiu 1,2%, enquanto o dólar recuou 1,24%. Com pesada intervenção do Banco Central (BC), que passou a vender moeda americana no mercado à vista, o que significa mexer nas reservas internacionais do país., a cotação voltou a se situar abaixo de R$ 4, por um triz: fechou em R$ 3,99.
Foi até um dia calmo perto da véspera, quando o recuo de 0,1% no PIB da Alemanha no segundo trimestre, a desaceleração da produção industrial na China ao nível mais baixo em 17 anos e o comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos reforçaram o temor de um "mini 2008", referência à Grande Recessão causada pela crise da hipotecas nos EUA.
– Ainda não resolvemos os grandes problema que causaram a crise do subprime em 2008 – diagnostica Antonio Corrêa de Lacerda.
Especialista em economia internacional, ele pondera que a escassez de demanda global deu impulso às medidas protecionistas e populistas de Donald Trump:
– É a reação de governos locais tentando preservar seu espaço. O que acaba ocorrendo é quadro de guerra comercial e cambial.
Para Lacerda, uma nova recessão global não é inevitável. Vai depender de que medidas serão tomadas por governos da reação dos mercados. Admite que o arsenal está mais restrito, mas não foi desmontado:
– Os juros já estão muito baixos, então o instrumento de política monetária é limitado. Restariam os fiscais, que também têm pouco espaço. Não quer dizer que não se possa fazer nada.
Por isso, embora a intervenção do BC brasileiro tenha antecipado o aplicação das medidas anticrise, Lacerda aprova a medida:
– Para o Brasil, é péssimo, porque criamos nossa própria recessão, e agora o quadro internacional vai jogar contra. Mas o BC fez o óbvio. Diante do risco, interveio e entrou no mercado à vista. O discurso liberal é retórica. Na hora em que precisa, é o Estado que vai intervir.




