
Com a fábrica de Gravataí parada por mais de três horas na sexta-feira pela manhã, a General Motors (GM) cedeu. Ou pareceu recuar. Informou que voltava atrás na tentativa de cortar benefícios trabalhistas para os operários da empresa, negociação que também conduz em São Paulo.
Para os colaboradores do Estado, a lista da GM tinha 21 pontos, como não pagamento temporário da participação nos lucros e redução de 20% do piso da categoria. Em protesto contra a intenção da empresa, os metalúrgicos paralisaram a planta que é a mais importante da GM na América do Sul. A rápida capitulação deixa uma dúvida: a montadora desistiu ou apenas deu um passo estratégico para trás, para depois voltar à carga, mesmo que com uma pauta mais leve?
Alegando prejuízos no Brasil, a GM também tenta espremer fornecedores, concessionários e governos. Diz que a redução de custos é essencial para um novo ciclo de investimentos, mesmo que em plena crise tenha anunciado aporte de R$ 13 bilhões no país.
No início de 2018, o presidente da GM no Mercosul, Carlos Zarlenga, avaliava que, após voltar ao lucro no terceiro trimestre de 2017, a empresa iniciava uma virada no país. Agora, sustenta que atravessou 2018 novamente no vermelho. Algo vai mal.
Em entrevista à coluna em 2017, quando a empresa anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão em Gravataí, Zarlenga fez um mea-culpa, em nome do setor: “Nossa indústria, no passado, cometeu o erro de procurar só incentivos, benefícios”, disse o executivo, referindo-se ao período da brutal guerra fiscal no país. Claro que não são só vantagens tributárias que a empresa quer agora. Mas, com ameaças na mesa de negociação, voltou a querer.





