
O outubro fechou com a maior queda percentual do dólar desde junho de 2016, 7,8% . A valorização do real se deveu ao movimento que ficou conhecido como “rali Bolsonaro”, ou seja, da euforia de investidores e especuladores com a expectativa de vitória do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, confirmada no domingo.
A bolsa de valores brasileira também subiu quase 10% no mês, reforçando o desempenho de exceção do mercado financeiro, que vai deixar saudade, por ser um resultado difícil de se repetir no futuro próximo.
Desde a eleição de Bolsonaro, a euforia só voltou a se manifestar na quarta-feira, quando a bolsa subiu quase 3,69% diante das afirmações de que o futuro governo pretendia aprovar alguma parte da reforma da Previdência ainda neste ano. Logo em seguida, manifestações de líderes do Congresso que alertaram para a dificuldade da missão de destravar a votação até dezembro esfriaram os ânimos e baixaram as perspectivas. Ontem, último dia do mês, o desempenho da bolsa não foi notável, com alta de modestos 0,62%, enquanto a cotação da moeda americana voltou a subir para R$ 3,723.
A expectativa para o restante do ano segue otimista, mas vai depender cada vez mais da composição do futuro governo e dos anúncios de medidas por parte da equipe de Paulo Guedes, confirmado como superministro da Economia mesmo com as manifestações contrárias de industriais à concentração de poder e de supostos interesses contraditórios.
Ao justificar a manutenção do menor juro da história do Brasil pela sexta vez seguida, o Banco Central (BC) voltou a frisar que 6,5% ao ano representa “política monetária estimulativa” – em bom português, abaixo do que deveria ser pelos dados estritamente técnicos. O comunicado adverte que “esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”.
Com a baixa do dólar, o risco de alta de preços diminui, mas há outro fator que pode mudar a estratégia do BC: a elevação da taxa de referência nos Estados Unidos. As expectativas das instituições financeiras são de alta do juro básico para a faixa entre 8% e 9% em 2019. Vai pesar se a atividade não reagir até lá.




