Na próxima quarta-feira (6), caso o Banco Central (BC) mantenha a recente consistência com as expectativas de mercado, o Brasil voltará a ter o menor juro básico em um século. Há consenso de que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) vai cortar 0,5 ponto percentual na taxa de referência, levando-a de 7,5% para 7% ao ano.
Esse piso nunca foi tocado na série histórica do BC, que tem três décadas. Estudos de história econômica só identificam taxas menores no início do século passado. É um marco.
Feito o registro, é preciso relativizá-lo. Há uma distância abissal entre a taxa básica e a real – no mercado, empresas pagam pelo menos o triplo, e pessoas físicas, quase 10 vezes mais nas linhas mais baratas.
O motivo são distorções históricas do sistema de crédito, como excesso de linhas direcionadas e elevada retenção compulsória, agravadas pelo surto recente de inadimplência.
A exemplo do piso mais recente no juro de referência – 7,25% entre outubro de 2012 a abril de 2013 –, o próximo corre o risco de ter vida curta. Preços de alimentos ajudaram, mas a inflação caiu – embora haja desconfiança popular sobre os índices – por força da recessão. Se a reação engrenar, volta o apetite por consumo.
E pode faltar combustível para manter preços e juro baixos. Desde que a Petrobras passou a fazer reajustes quase diários, a gasolina acumula alta de cerca de 30%. No diesel, que tem maior peso na estrutura de custos, passa de 20%. Abastecer virou preocupação nacional. Com a renda ainda em reação lenta, o piso da taxa pode enfrentar pane seca.



