
Desde a semana passada, Santa Maria está agitada por conta de fotos de uma Lamborghini Huracán Avio Special Edition (acima, a imagem do site da marca) circulando pela cidade. O automóvel, único na América Latina, foi comprado por um empresário local por R$ 2,5 milhões. O autor da façanha conversou com a coluna sobre o veículo inédito e de alto valor, mas pediu para não ter seu nome divulgado, segundo ele não por temor de roubo:
– Quando compro um carro desses, é para atender a um desejo meu. Não me interessa que saibam meu nome.
O empresário relata que tinha o hábito de andar com vários modelos de Porsche na cidade, assim como costuma pedalar uma bicicleta para o trabalho sem provocar grandes reações. Mas admite estar "chateado" pela atenção que a edição especial recebeu.
– Não consigo sair na rua. Gosto de ter coisas para usar, mas não estou conseguindo usar muito, chama muita atenção, isso está até me constrangendo. Ontem (domingo) peguei para dar uma volta no condomínio, veio a criançada toda. Até agora, devo ter andado 10 minutos nas ruas, do escritório até o Detran, para emplacar o carro – conta.
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Pelo relato do empresário, a compra foi quase uma coincidência. Ele havia estado na revenda, em São Paulo, e o carro não estava lá. No dia seguinte, chegou. O que o atraiu, garante, foi o design do carro, a estética, a perfeição do acabamento e a admiração ao criador do modelo:
– Uma das coisas de que gosto é comprar carro. Tem uma coisa que aprendi comprando, que essas edições especiais se valorizam depois de sair da concessionária. Se quiser, posso revender por um preço mais alto do que paguei, por ser rara. Então, ou eu comprava naquele momento ou o único modelo daquele tipo destinado à América Latina não seria meu.
Até agora, diz que nunca havia sido dono de uma edição especial tão rara, apesar de já ter pilotado outros carros caros – e pedalado sua bicicleta, insiste. Deu-se ao luxo por entender que é um "prêmio" a seu trabalho e pela característica de não ter a intenção de formar uma grande herança.
– Não sou escravo do dinheiro. Ajudo muita gente, faço caridade, mas não quero morrer com um baita patrimônio. Acho que posso desfrutar do que foi fruto do meu trabalho, desde que seja bom pagador, valorize meus funcionários – explica.
Indagado porque não tem o hábito de muitos empresários, de reinvestir mais no próprio negócio, é taxativo:
– Já estruturei a empresa, comprei máquinas e equipamentos. O que sobra, uso para mim. Se não puder me dar ao prazer de fazer o que gosto, vou parar e vou para o Tibete meditar. E ser reinvestir tudo no negócio, só vou me preocupar mais. Até quero me desapegar das coisas terrenas, mas ainda não consegui.



