Efeito da estiagem 

Barragens de hidrelétricas estão em níveis críticos no RS por falta de chuva

Volume disponível para geração de energia é semelhante ao da seca de 2012, avalia CEEE, mas não há risco para abastecimento do Estado

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No início de janeiro, surgiram os primeiros sinais de impacto da estiagem no nível das barragens das usinas que geram energia no Rio Grande do Sul. Como até agora não houve normalização da chuva, a situação se agravou. Atualmente, existe até hidrelétrica com volume útil negativo de água. É o caso de Machadinho, que opera, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com -17,6%. 

Isso não significa que o reservatório está "devendo" água, mas que falta recuperar 17,6% da capacidade para que a usina possa voltar a gerar energia. 

– Estamos entrando em maio, é normal que tenhamos os menores níveis nos reservatórios nessa época do ano, que é quando começa a chover mais. Neste ano, a estiagem deixou os volumes semelhantes aos da última de grandes proporções, que ocorreu em 2012. É uma situação que se apresenta de tempos em tempos, esses reservatórios ficam com capacidade limitada de geração de energia – diz Marcelo Frantz, assistente executivo da diretoria de Geração da CEEE.

Com a restrição, o percentual da demanda média no Estado suprida pelas hidrelétricas foi baixando de 26,4% em fevereiro, 15,9% em março e 11,4% em abril. A redução é devido a estiagem.O executivo lembra que, como o Estado está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e a estiagem esta localizada no Sul do Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) envia  eletricidade suficiente para suprir a que deixa de ser produzida aqui.

– Não há indicativo de desabastecimento energético nesse momento – tranquiliza.

Nesse período, o ONS determina que as hidrelétricas que ainda estão gerando operem em volume menor, para preservar os reservatórios. No cenário nacional, o que o ONS chama de "energia armazenada", ou seja, a capacidade de geração das hidrelétricas, está em 15,3% no Sul, mas 54,8% no Sudeste, onde ficam os maiores reservatórios, que sustentam o SIN. O órgão que coordena o sistema considera 30% nível crítico para as barragens e 10%, o mínimo necessário para que possam gerar energia.

No Estado, a maior capacidade é a de Passo Real, que está com 31,9% do volume útil. É um reservatório que tem capacidade total de 2,4 mil hectômetros cúbicos, o que corresponde a 2,4 bilhões de caixas d'água com capacidade para mil litros cada.

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