
Eu tinha seis anos, estava na pré-escola, na turma da professora Maribel, quando embarquei num ônibus em Caxias do Sul com destino a Sapucaia do Sul. A excursão era especial: visitar o zoológico.
Foram dias de espera até conhecer, ao vivo, animais que eu só tinha visto na televisão ou nas ilustrações dos livros. Em 1997, o zoológico de Sapucaia do Sul era uma grande referência. Para quem não lembra, era um tempo em que o parque abrigava grandes atrações: elefantes, leões, hipopótamos e uma variedade enorme de espécies de outros continentes, como zebras, girafas e até camelos.
Também era outro tempo em termos de consciência. Hoje, me parece inaceitável a ideia de comprar animais e transportá-los – até de avião – retirando-os de seus habitats naturais. Ainda assim, mesmo naquele período, os zoológicos também cumpriam um papel relevante: resgatavam animais explorados por circos e ofereciam alguma forma de proteção. É, sem dúvida, uma história cheia de contradições.
Não concordo – e jamais concordaria – com a captura e o confinamento de animais apenas para exibição. Esse modelo perdeu sentido. O mundo mudou, e os zoológicos também precisaram se reinventar.
Os mais sérios passaram a funcionar como verdadeiros centros de acolhimento e tratamento. Recebem animais feridos, vítimas de tráfico, atropelamentos ou exploração, e trabalham na sua recuperação. Aqueles que não conseguem retornar à natureza acabam sendo mantidos em espaços adequados, com acompanhamento técnico.
Além disso, essas instituições desempenham um papel importante na preservação da fauna. Por meio de manejo responsável, contribuem para a reprodução de espécies ameaçadas e ajudam a manter viva a biodiversidade.
Há quase dez anos, conheci de perto o trabalho do zoológico de Gramado, durante a gravação de uma reportagem para o Fantástico. Ali, vi como é possível fazer diferente. Desde então, recuperei meu olhar sobre esses espaços – não mais como vitrines de animais, mas como ferramentas de educação ambiental.
Por isso, entristece ver o que aconteceu com o zoológico público de Sapucaia do Sul. Aquele gigante de outras décadas encolheu. São anos de poucos investimentos, tentativas frustradas de privatização e um processo de desgaste que compromete um patrimônio que poderia ser exemplar.
Nesta semana, aliás, o zoo está fechado após a morte de dezenas de aves.
Aquele menino de seis anos, encantado com o passeio da escola, jamais imaginaria que o lugar que tanto o impressionou um dia chegaria a esse ponto.





