
As ruas e avenidas de uma cidade são como as veias e artérias dos nossos corpos. Vai além da simples comparação entre sistemas circulatórios. As vias urbanas comprimem a massa das cidades, becos e vielas espremem as entranhas desenhadas pela geografia de cada lugar.
Porto Alegre se deita diante do Guaíba. Espalha-se horizontalmente pra todo lado. As pontes sobre as águas que levam ao arquipélago são como braços estendidos. Em outra direção corre a Sertório, imensa e grandiosa, que lá na frente vira Assis Brasil e Baltazar.
Qual seria o coração desse sistema? Difícil saber num lugar onde o centro geográfico não corresponde a região “central” do movimento e da densidade dos moradores. Eu arriscaria dizer que a Ipiranga, embora com o diferencial de margear o Dilúvio, não é mais importante que a Protásio que nasce da Osvaldo e vai a Viamão onde encontra o Caminho do Meio.
E os viadutos. Ah, os viadutos... Eles têm um papel importante nessa cidade. Eu fico encantado ao cruzar o São Jorge, passar lá em cima pela Perimetral do ladinho do topo da igreja. Embaixo corre uma das vias mais movimentadas da cidade: a Bento Gonçalves que vai desembocar na Azenha e na João Pessoa.
O túnel da Conceição, a Mauá, a Farrapos. Quem chega na cidade não a descobre sem reconhecer esses acessos. Eu amo atravessar a Edvaldo, na beira do rio. A minha preferida é a Érico, por motivo de morar ali.
Alô, alô zona leste com a Antônio de Carvalho, zona norte com a do Forte. A zona sul não vou escrever aqui.
A zona sul merece um parágrafo só dela. Wenceslau, Cavalhada, Otto, Coronel Marcos, Eduardo Prado, Nonoai. Calma, achou que eu esqueceria da Juca. Jamais! Nem a Edgar Pires de Castro. Pro Sul, a nossa Porto Alegre, parece desenhar pernas!
Quantas e quantas dessas ruas e avenidas cruzamos sem se dar conta. A República pra ver amigos, a João Teles pra dançar, a Silva Só depois da balada.
A gente vive a cidade mesmo sem perceber. No mês de aniversário da nossa capital te proponho pensar nas ruas que tu atravessas. Passe pelos cruzamentos da nossa cidade imaginando o quanto cada cantinho é cheio de história.
Olhe pro lado, olhe em volta. Assim é como se olha pra dentro de uma grande cidade.

