
Viagens sempre começam muito antes da hora de pegar a estrada. Ao menos para mim, a fase mais interessante é o planejamento. Ele vem sempre acompanhado de expectativa e daquela alegria mansa de quem já começou a viajar sem sair do lugar.
Primeiro a gente decide o destino. Depois, onde vai passar a noite. E, na sequência, começa o delicioso trabalho de montar um mosaico de atividades, lugares, restaurantes e passeios. Organizo planilhas, comparo horários, preencho cada coluna cuidadosamente, como se ali estivesse parte da magia da viagem.
Às vezes até faço visitas virtuais antes de chegar lá. Caminho pelas ruas, observo as fachadas dos lugares que pretendo conhecer. Viver essa espera faz com que o passeio seja ainda mais especial. Quem passou horas pensando em cada detalhe aproveita muito mais quando finalmente chega.
Esta semana estou exatamente desse jeito. Sempre quis ir para Ametista do Sul, a pequena cidade do norte do Rio Grande do Sul onde, por acaso, pedras preciosas começaram a aparecer nas lavouras e, mais tarde, se descobriria a maior jazida de ametistas do planeta.
Hoje são mais de 130 minas em atividade. O garimpo segue como principal força do município. As pedras retiradas desse chão são lapidadas e enviadas para o mundo inteiro. Mas dizem que nada se compara ao impacto de ver tudo de perto. A catedral revestida de ametistas parece incrível e uma pirâmide esotérica promete reorganizar as energias de quem entra lá. Óbvio que eu preciso viver isso.
Conversando com a Giane Guerra há alguns dias, ela contou que muitos europeus têm curiosidade em conhecer Ametista do Sul, mais até do que outras cidades turísticas tradicionais. Minhas pesquisas só aumentaram minha empolgação: existe restaurante subterrâneo, piscinas dentro das grutas e experiências que parecem de outro mundo.
Vou viajar para lá para apresentar o Jornal do Almoço deste sábado. Só volto à capital no domingo. Entre trabalho e descobertas, teremos tempo de explorar. Estou bem perto de viver aquilo que tanto esperei.
E não tenho dúvida de que essa ansiedade me faz bem. É uma delícia ir dormir sabendo que o dia seguinte é o grande dia. Acordo várias vezes, achando que já passou da hora. Era assim quando eu era criança esperando para ir à praia. Continua do mesmo jeitinho até hoje.



