
Era fim de tarde de segunda-feira, Parque Moinhos de Vento. Ao entrar no grande gramado antes esportivo, mas que agora abriga um imenso cachorródromo, vi um menino de cabelos loiros.
Aquele menino sorriu ao ver minha cachorrinha, a Raposa, abocanhar a bolinha de tênis no ar. Sem nem pensar, olhei pra ele e perguntei se ele queria jogar a bolinha e brincar um pouco com ela. Ele aceitou de pronto.
Passamos uns vinte minutos nos divertindo naquela brincadeira tradicional de lançar longe a bolinha pro cachorro ir buscar. A Raposa, aliás, ama brincar assim! Nesse tempo fui conhecendo o garoto. Pietro o nome dele. 9 anos de idade, uniforme da escola e luvas de goleiro. Tinha acabado de sair da aula e estava aproveitando o fim do dia junto com a mãe dele, a Priscilla.
Já cansada a Raposa parou de responder aos comandos. Mas a nossa conversa ainda teria um segundo tempo sentados numa mureta, onde o Pietro conseguiu pegar a Raposinha no colo.
Me contou que já tinha tido um cão, mas que ele era muito sapeca! Destruiu uma poltrona, abriu buracos no colchão da cama e criou encrenca em casa! Não se adaptou bem e encontrou outra família.
A minha conversa com o Pietro foi uma das mais gostosas que eu tive nos últimos tempos. Poucas vezes temos a chance de conversar com crianças na rua. O mundo moderno, corrido e perigoso, afasta crianças de desconhecidos – nem poderia ser muito diferente.
Mas naquele fim de dia, na beira de um parquinho, estávamos seguros. Contamos histórias de família, falamos de futebol, disse a ele que tenho um sobrinho da mesma idade. E fiquei muito surpreso (positivamente!) quando ao me despedir o Pietro disse:
— Espera um pouco!!!
E, antes que eu partisse, Pietro foi ao ouvido da mãe, sussurrou algo.
Ela então, visivelmente sem graça, disse que o menino pediu para pegar meu telefone. Na hora aceitei e trocamos os números.
Isso deveria ser comum. Fazer amigos deveria ser a regra, não a exceção. A conexão entre a gente foi tão especial. Ao ver aquele menino falante, disposto a desbravar as travas sociais que existem hoje em dia, senti algo parecido com esperança no futuro.
Esperança nas crianças. A ingenuidade é linda. A infância é incrível.
Sorte tive eu. Sorte teve a Raposa.
Obrigado, Pietro, pela companhia naquele fim de tarde.



