
Quando foi a última vez que você decidiu, simplesmente, não fazer nada do que tinha planejado para o dia? Libertar você mesmo dos compromissos que você ajustou na agenda, mas que já não tem interesse em realizar?
Dá vontade de fazer isso, né? Mas e o receio de passar por irresponsável? O fato é que o mundo ao nosso redor não sabe necessariamente de tudo que estamos vivendo, passando, enfrentando.
Tem tanta coisa que a gente aceita para ser “educado”, “bonzinho” e depois só se ferra! Ver o tempo extra diminuir é algo bem comum conforme a idade vai passando, a gente vai ficando mais adulto, com mais responsabilidades. A agenda vira um desafio a ser cumprido e até coisas que antes eram bem legais de fazer, na correria se tornam um grande estorvo.
Mas proponho aqui que façamos um exercício de libertação do outro! Afinal, se não queremos ser cobrados pra estar em determinados lugares, fazer coisas que os outros esperam de nós, por que não começar deixando de cobrar os nossos amigos, namorados e colegas dessas responsabilidades?
Eu nunca mais disse pra ninguém: “pena que você não foi aquele dia”, “você perdeu, hein!”, “nossa, já não gosta mais dos seus amigos”, “você anda tão distante”. Também deixei de ficar encontrando as pessoas na rua ao acaso e agendado coisas que nunca acontecem.
Esse passo é importantíssimo. Mas veja bem: não estou defendendo a exclusão social e o deixar de fazer coisas legais e maneiras com os seus parceiros, amigos e colegas de trabalho. Mas ao passo que o ano vai terminando, que compromissos oficiais tendem a se acumular, deixar de pegar no pé do outro é uma prova de amor e amizade.
Poxa, tem finais de semana que o bom mesmo é ficar sem fazer nada. Descansar exige um pouco de resguardo. Não precisamos ter essa pressa de aproveitar tanto o tempo livre e deixar de curtir a gente mesmo. Um livro, um sofá, um silêncio.
Por sorte nossa sociedade já evoluiu e o WhatsApp já ajudou bastante a frustrar aquelas visitas surpresas, não é? Lembra na casa dos pais, que domingo à tarde – DO NADA – aparecia alguém tocando a campainha?
Isso, graças a Deus, não acontece mais, né. Poxa, se eu não gosto nem que me liguem sem antes mandar uma mensagenzinha, que dirá um ser bater na minha porta sem avisar.





