
Um passeio pelo supermercado seria uma grande festa, não fosse a preocupação com o valor das compras. Mas, ignorando toda e qualquer aflição com os preços absurdos de muitas coisas, eu acho bem divertido caminhar entre as prateleiras.
Quando sobra tempo — de preferência numa tarde de semana, quando o movimento é mais tranquilo — escolho a dedo em qual mercado vou. Gosto dos grandes, imensos, que têm setor de bazar e corredores com produtos que eu nunca vi na vida. É como visitar um mundo paralelo.
Prefiro começar pelo setor de promoções. Aquelas ilhas me dão uma sensação de “preciso aproveitar pra economizar”. Aliás, ontem mesmo estive no mercado e garanti sabão líquido por nove reais! Também achei vantagem num chocolatinho — o tipo de vitória que só quem compara preço entende.
Depois disso, começo a aproveitar o passeio. Tateio embalagens, leio rótulos, descubro ingredientes. Destaque para a prateleira dos biscoitos: você já reparou quantos são feitos fora do Brasil? Fico curioso com a composição das geleias — algumas nem têm açúcar.
Faço a festa na parte dos produtos de limpeza. Tenho uma péssima mania de abrir tudo que posso pra sentir o aroma. Depois escolho algum dos multiusos pra perfumar a casa pelas próximas semanas. É quase um ritual.
A parte das frutas não me atrai tanto. Confesso que prefiro a muvuca da feira de rua. Os preços dessa seção são os que mais me assustam, principalmente quando comparo com as banquinhas da feira que acontece perto de casa nas sextas. Lá, o bolso respira (um pouco).
Reparo sempre que a pressa domina os corredores dos mercados. Alguns chegam a encravar o carrinho nos garrões de quem estiver pela frente. Já fui ferido algumas vezes e abandonei o hábito de ir ao mercado de chinelo de dedo. Tem também quem passa pela prateleira e simplesmente joga o produto no carrinho. Nem olha preço, nem tabela nutricional, nem ingredientes, nem validade. Eu até gostaria de não olhar o preço, mas abrir mão de conferir os ingredientes? Jamais.
Descobrir o universo dos produtos do mercado me traz mil ideias: o que cozinhar, como cuidar da casa, o que fazer por mim e pra mim. É gostosa essa sensação de comandar a própria vida.
Parece bobagem, mas as escolhas do mercado determinam muito do nosso humor da semana. E quando gasto menos do que o previsto, fico duplamente faceiro — economia e vitória pessoal no mesmo pacote.
Agradeço por gostar de algo tão rotineiro. Porque é nesse cotidiano que mora muito do que somos.




