
Uma notícia revolucionou os lares brasileiros e transformou a semana de quem se orgulhava de ter a pressão arterial em 12 por 8 numa grande bagunça! Como assim que 12 por 8 não é mais o equilíbrio perfeito entre as pressões sistólica e diastólica?
Agora a tal pressão 12 por 8 é definida como pré-hipertensão: um claro sinal amarelo para reduzir o sal na comida e aumentar a prática de exercícios físicos. Essa mudança, embora uma grande surpresa para nós, entre cardiologistas já era debatida há muito tempo.
A hipertensão pode levar a morte e está diretamente associada ao risco de infarto e de AVC. É uma doença séria que atinge 3 em cada 10 brasileiros. O aumento da pressão arterial preocupa até entre os jovens. Definir um novo parâmetro dar o alerta e iniciar os cuidados para não extrapolar os limites do corpo faz todo sentido. E é isso que a sociedade brasileira de cardiologia fez com essa mudança.
A ciência não é imutável. Todo o dia algo novo é descoberto e números mágicos como o 12 por 8 entram pra hall dos desatualizados. Esse é um dos lados dessa história.
Se já vimos a cara, vamos a coroa das mudanças científicas: a criação de boatos e desinformação.
Se o 12 por 8, tão confiável a vida inteira para todos nós agora é coisa do passado, o que fazer ao ouvir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que gestantes que tomam paracetamol aumentam as chances de os filhos terem autismo?
Foi isso que ele disse na última segunda-feira (22) e ainda pontuou que a FDA (agência americana que regula os medicamentos — equivalente a Anvisa no Brasil) iria passar a alertar médicos sobre esse alto risco e a associação de autismo com o consumo de paracetamol por gestantes.
Bastaram alguns minutos e até a Organização Mundial da Saúde criticou e rechaçou a fala do presidente Donald Trump. Alguns especialistas no assunto também apresentaram algumas pesquisas inconclusivas e que não comprovam nenhuma ligação entre grávidas medicadas com paracetamol e o desenvolvimento de autismo nos filhos.
Os perigos da desinformação são gigantescos! Um deles é o pavor e o medo de quem está grávida e que tomou paracetamol nos últimos tempos. Outro é reforçar antigos mitos que medicamentos e vacinas podem causar autismo.
Mas essas duas manchetes confundem a gente. Se devemos deixar de acreditar no 12 por 8, por que não seríamos surpreendidos com uma nova descoberta que transforma um remédio que todo mundo tem em casa em um fator de risco para uma doença crescente em incidência no mundo?






