
Não sou um admirador do inverno, nem do frio. Mas acho lindo ver as paisagens branquinhas de geada e outras imagens marcantes do inverno gaúcho que sempre viralizam quando faz aquela friaca.
Mas o motivo principal de não gostar tanto dessa época do ano é a duração dos dias. Em Porto Alegre, nos meses de inverno, o tempo de luz solar tem variação de 10 a 11 horas. Ou seja: temos mais noite do que dia. Já no verão, podemos atingir até 14 horas de luz solar vibrante sobre nós.
Gostar do calor também é muito forte para mim. Viver em Porto Alegre nas primeiras semanas de janeiro produz litros de suor. E abrir uma janela é sentir o mesmo do que abrir a porta de um forno.
A questão aqui é a luz solar. Eu amo o dia! Gosto de aproveitar cada espaço de tempo em que temos luz natural. Mas nesse inverno, está ainda mais complicado, já que são muitos dias cinzentos, nublados e com neblina. Um inverno rigoroso, longo e bem-marcado como há tempos não se via por aqui.
Nesses dias sem cor, é até difícil acordar. A preguiça toma conta de mim. Como as madrugadas se espraiam no que deveria ser a minha manhã, eu acordo, tomo café, dou uma voltinha com a Raposa (minha cachorrinha), saio de casa para o trabalho e ainda não amanheceu!
Quando você vê o dia termina e tu nem chegaste em casa ainda! Tenho ido ao mercado a noite e evito qualquer compromisso que me faça sair de casa depois das 19 horas. Não quero conectar os dias cinzas com o sentimento de tristeza, esse texto não é sobre isso. Aliás até poderia ser por existir, de fato, um tipo de sentimento que dias assim despertam.
O principal ponto para mim é que eu sinto falta das cores vibrantes no céu, do sol que corre lentamente em direção ao oeste e ainda teima e não quer ir embora tanto que segue iluminando algumas nuvens mesmo depois de se pôr.
Como são gostosas aquelas tardes de verão. Tardes intermináveis! Voltar para casa é muito melhor quando a gente ainda tem uma boa porção de dia para viver do jeitinho que a gente quer, com quem a gente gosta. E é bem bom estar uma roda de chimarrão dessas de bairro num fim de tarde. E cortar uma melancia, então?
Ah, que saudade de usar bermuda, camiseta e chinelo de dedo.


