
Gosto de conversar sobre o desenvolvimento das cidades, dos estados e do nosso país. Mas fujo, com força, de qualquer embate político. Quando discutimos ideias estamos pensando em encontrar soluções e contaminar essa busca com aquilo que se acredita sem ter o mínimo embasamento em dados e contexto histórico é o maior erro cometido hoje em dia.
Se você me assiste na televisão, no Jornal do Almoço, deve ter reparado que iniciamos mais uma temporada de um quadro chamado Debate de Soluções. É nesse espaço que desde 2023 a gente tem reunido especialistas, poder público e quem sente as mudanças na sua rotina. Num contexto de polarização política é difícil manter as discussões dentro do campo das propostas, sem descambar para achismos e ideologias. Essa é minha missão como mediador e, felizmente, acredito que temos conseguido fazer isso.
É muito interessante perceber que temas de impacto social podem ser resolvidos, mesmo que parcialmente, com o simples exercício do diálogo, reunindo na mesma conversa quem estuda, quem propõe e quem faz as mudanças. O último tema em discussão no Debate de Soluções foi a relação da moradia com o meio-ambiente e como buscar alternativas para habilitação digna e segura depois de tantos impactos causados pela enchente.
Antes do dia do programa em que isso foi debatido amplamente eu passei por horas e horas de pesquisa sobre legislação ambiental e regularização fundiária. Percebi algo que já tinha sentido outras vezes: como ser cidadão exige esforço. Antes de buscar direitos e entender os deveres precisamos conhecer as regras do jogo.
Só que as leis no Brasil são amplas, complexas, difíceis de compreender. Soma-se a isso a noção de realidade (ou a falta de noção) diante de tantas desigualdades. Para exercer cidadania, no sentido completo dessa tarefa, não há a menor chance de ser simplista.
Moradia é um desses temas que precisa de atenção de toda a sociedade. A ocupação das áreas centrais das cidades, a redução dos deslocamentos para o trabalho, a dignidade das construções. Isso tudo vai muito além do “sonho da casa própria”.
Felizmente existem caminhos para que o conhecimento circule entre todos. Semana que vem dois grandes eventos reúnem em Porto Alegre especialistas que estudam o assunto e tem boas ideias para resolver nossas mazelas sociais empurradas com a barriga há tanto tempo. Um deles é sobre arquitetura e urbanismo no Instituto Caldeira e outro é organizado pela Secretaria Estadual de Educação sobre a resiliência diante de mudanças climáticas.
Ser idealista e buscar o melhor para todos é bem diferente de sair por aí defendendo ideologias sem nenhum fundamento. Por mais discussões, conhecimento e aprendizado.
Só assim a cidadania chegará na frente.





